Itinerário em Montenegro: Sveti Stefan, Cetinje e a chegada a Kotor

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  1. Último post
  2. Sveti Stefan
  3. Mosteiro Praskvica
  4. Cetinje
  5. Parque nacional Lovćen
  6. Serpentina de Kotor
  7. A chegada a Kotor
  8. Próximo post

Último post

No último post focámo-nos na nossa experiência em Bar incluindo os pratos tradicionais que experimentámos. Isto depois da nossa aventura em Stari Bar e no lago Skadar. O post que se segue, o do segundo dia a explorar Montenegro, foi não UM mas O dia mais triste da viagem. Talvez não o mais triste, mas sim o mais murcho ou melancólico e tudo se deveu ao tempo já que esteve practicamente sempre a chover até ao final do dia. Mas como passámos por vários locais importantes em Montenegro mesmo com a chuva não poderíamos deixar de mencioná-los.

Sveti Stefan

Saímos de Bar ainda com o céu cinzento sem chuva, mas isso rapidamente mudou e o tempo foi piorando à medida que avançávamos pela costa de tal forma que quando chegámos à primeira paragem, Sveti Stefan, acabámos por passar muito pouco tempo aqui. Sveti Stefan é uma ilha onde se estabeleceu um resort de luxo, apenas permitida entrada aos hóspedes. A nossa ideia era então passear pela praia que fica de frente e assim ter acesso a várias paisagens desta ilha que é uma das mais fotografadas do mundo. No entanto, a chover a potes, apenas parámos o carro na berma da estrada para tirar uma fotografia rápida.

Sveti Stefan

Apesar de ter passado aqui apenas breves momentos, vou deixar um pouco da história fascinante da origem desta ilha e da sua comunidade. E vou começar pela lenda associada a Sveti Stefan. Para dizer a verdade a sua verdadeira história começa no século XV, pois até então a ilha era habitada por pescadores e as suas famílias. Segundo a lenda, a ilha de Sveti Stefan foi o local onde se estabeleceu as 12 tribos Paštrovići que ajudaram os residentes de Kotor a lutar contra o cerco feito pelos turcos a esta cidade. Durante esta expedição, os guerreiros Paštrovići descobriram navios turcos que não estavam devidamente protegidos e saquearam todas as riquezas que aqui estavam guardadas. Foi decidido que com este tesouro cada uma das 12 tribos contruiria a sua casa na ilha de Sveti Stefan e tornaria esta cidade fortificada para sua própria protecção. E assim nascia uma comunidade autónoma e privada.  

A parte do tesouro não pode ser confirmada e daí tratar-se de uma lenda, mas é verdade que houve uma comunidade formada pelas tribos Paštrovići em Sveti Stefan. No século XV esta ilha pertencia à República de Veneza e por isso era uma zona autómata, uma espécie de ilha protegida dos ataques turcos pelos Venezianos sendo em troca um local importante de comércio e outras actividades marítimas para a República. Tornou-se numa comunidade privada e isolada que com o passar dos tempos sofreu uma descida agravada no número de residentes devido à saída destes para outras cidades e países à procura de mais e melhores oportunidades de trabalho. Especialmente porque a protecção oferecida foi dissolvida com a caída da República de Veneza em 1797.

Mais tarde, em 1940, quando a ilha estava practicamente deserta, decidiu-se construir aqui um resort o qual já ganhou vários prémios e contou com a presença de várias figuras internacionais da realeza e das artes. Este resort ganhou o prémio de La Pomme d’Or (a maçã dourada) condecorada pela Federação Mundial de Jornalistas e Escritores de Turismo (FIJET) em 1972. Este prémio é como uma espécie de Óscar para turismo e Sveti Stefan recebeu-o como sendo o resort mais exclusivo do mundo.

Mosteiro Praskvica

O mosteiro Praskvica fica a norte de Stevi Stefan e daqui pode-se ver a ilha e as muitas casas que nela se encontram. Quanto a este mosteiro crê-se que foi construído em 1050, mas apenas há evidência real da sua existência a partir de 1307 quando o rei sérvio Milutin visitou Kotor. O nome do mosteiro, Praskvica, tem origem numa das características particulares da água de uma das nascentes dali perto, pois diz-se que a água tem um cheiro curioso a pêssegos (praskva em montenegrino). No recinto do mosteiro encontra-se a igreja principal, edifício esse que foi construído no século XIX sobre as ruínas da igreja original do século XV e que protege no seu interior os frescos da antiga igreja. Para além da igreja também existe um edifício que era antigamente uma escola de monges, outro com alojamentos e mais acima na colina um cemitério e um edifício dedicado à Santíssima Trindade construído no século XVII.

A visita ao mosteiro é gratuita tal como o estacionamento. Quando parámos aqui não A visita ao mosteiro é gratuita tal como o parque de estacionamento. Quando parámos aqui não tínhamos a certeza se o mosteiro estava aberto ao público, mas fomos tentar a nossa sorte. As primeiras pessoas que vimos foi perto da igreja onde três homens conversam entre si, sendo um claramente o padre pelas roupas que vestia. Depois de um breve cumprimento foi-nos confirmado que podíamos visitar a propriedade. No entanto, a cena que tínhamos acabado de presenciar, os dois homens em pé e o padre sentado completamente refastelado (como se diz na gíria ‘à patrão’) fez lembrar muitas cenas de filmes onde a religião tem o papel principal em vários negócios criminosos. E nem digo nada, porque o que vimos da religião em Montenegro tem muito que se diga, principalmente depois de visitarmos alguns dias mais tarde o Mosteiro de Ostrog.

Mosteiro Praskvica (paisagem do cemitério)

Quanto à nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde de facto Quanto a nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde se consegue avistar a ilha Sveti Stefan. Já quanto à nascente com cheiro a pêssegos, não vimos nenhuma. Felizmente enquanto visitámos o mosteiro, a chuva tinha feito uma pausa permitindo que fizéssemos a visita com calma.

Cetinje

A próxima paragem já era em direcção à parte interior de Montenegro, numa cidade chamada Cetinje antes de nos embrenharmos pelo parque nacional Lovćen. Foi mais difícil encontrar estacionamento em Cetinje do que o esperado, e tivemos de deixar o carro numa berma da estrada mesmo ao lado do mosteiro de Cetinje, o que até calhou bem porque era um dos locais que queríamos visitar e mais uma vez estava a chover e bem. E sim, peço desculpa, como se devem ter apercebido o mau tempo vai ser o tema do dia.

Mosteiro de Cetinje

E foi a chuva a maior razão para que a visita ao mosteiro fosse breve já que não iríamos explorar a parte exterior. Também a igreja não é muito grande, sendo outra das razões para a rápida visita.

A história do mosteiro de Cetinje começa em 1484 como cumprimento de uma promessa feita por Ivan Crnojević quando este esteve em exílio temporário em Itália. A promessa era de que se voltasse novamente à sua terra natal mandaria construir um mosteiro dedicado à Virgem Maria. E foi o que fez, nascendo este mosteiro, que contava com a tal igreja, e também uma capela, essa dedicada a São Pedro. Foram também construídos edifícios esses com efeitos administrativos e residenciais.

Pátio que dá acesso á igreja no mosteiro de Cetinje

Depois do mosteiro, a nossa ideia era a de ir visitar o museu nacional de Montenegro, também ele em Cetinje. Na verdade, o museu fica mesmo ao lado do mosteiro. No Google de acordo com as informações o museu estava aberto, de acordo com a página oficial do museu, ele estava aberto. Mas a realidade é que demos duas voltas ao museu e não encontrámos nem nenhuma porta aberta nem qualquer sinalização a indicar a entrada. Portanto depois das duas voltas e com a chuva a cair desistimos de dar uma terceira. Gostaria imenso de dizer como era o museu, mas infelizmente não o posso fazer.

Parque nacional Lovćen

Depois de Cetinje, a próxima paragem era dentro do parque nacional de Lovćen. Por esta altura a chuva caia intensamente e depois de entrarmos no parque nacional juntou-se-lhe um nevoeiro que se adensou enquanto subimos até ao Mausoléu de Njegos. Para entrar neste parque nacional é preciso pagar o que é feito à entrada do parque onde há uma pequena casinha para o guarda se abrigar. A entrada para o parque custa 3 euros por pessoa. Não só é preciso pagar para visitar este parque nacional como também o parque nacional de Durmitor, cujo bilhete teve um custo de 5 euros. Neste dia como o tempo estava tão mau nem sequer havia guarda e passámos sem ter de pagar. Pouco nos serviu de contentamento já que quando chegámos ao mausoléu encontrámo-lo fechado devido ao mau tempo. Resignámo-nos ao que estava destinado para aquele dia e voltámos para o carro decidindo que tentaríamos voltar aqui no dia seguinte.

Serpentina de Kotor

Para chegarmos a Kotor desde o parque nacional de Lovcen tínhamos de passar por uma estrada que desce pela colina, chamada a serpentina de Kotor. Como o nome indica esta estrada é formada por curvas e contracurvas muito apertadas e em sequência. Para ser mais precisa são 16 curvas apertadíssimas que percorrem uma distância de 8.3Km.

Na fila à espera de que a polícia chegasse à serpentina de Kotor

Nós estávamos mesmo a fazer a última curva quando encontrámos uma fila de carros completamente parados. É que mesmo na curva tinha havido um acidente entre dois carros, acabando com um deles enfiado na estrutura metálica que protege a berma da estrada. E em Montenegro quando há um acidente é preciso chamar e esperar pela polícia. Aliás esse foi um dos avisos da Europcar quando fomos buscar o carro: que em caso de acidente não saíssemos do local, nem movêssemos o carro até que a polícia chegasse. O que demorou perto de uma hora. A sorte é como estava a chover não tínhamos nada planeado para o resto do dia.

Mas claro que quando se espera há sempre um ‘chico-esperto’ que pensa que é mais inteligente do que os outros. Nesta situação, foi um carro que estava atrás de nós que começou a fazer inversão de marcha. Bem começar, começou, acabar é que não acabou. Ele fez aquele trabalho de tal maneira que não só acabou trancado no meio da estrada como ainda bateu contra a estrutura metálica que estava na berma da estrada. E esteve muito perto de bater noutro carro. Podia dizer que isto era só em Montenegro, mas eu bem sei que há artistas destes em todo o lado.

A chegada a Kotor

Depois de finalmente nos vermos livres do acidente e de passarmos o último trecho da serpentina chegámos a Kotor perto das 3 e meia da tarde. E vou começar por deixar a melhor dica em relação ao estacionamento – não procurem mais, ponham esta rua no GPS ou na aplicação que estiverem a usar – para estacionar o carro em Kotor e sem pagar é na rua NJEGOŠEVA. Ao estacionarem aqui estão a evitar stresses e o trânsito caótico da cidade.

Chegada a Kotor

E nós é que fomos parvos por não o ter feito logo à chegada. Na verdade, erámos para deixar o carro aqui, mas na rotunda enganámo-nos na saída e fomos em direcção ao centro de Kotor. Acabámos por estacionar em frente ao centro comercial Kamelija onde se pagava. Outra dica, que eu sei que vão dizer que sabem e que não é novidade nenhuma, mas eu também sei que acontece – se estacionarem aqui tenham a certeza de que tiram o bilhete que sai da máquina. Sim, sim é normal em todo o lado e todos sabem isso e mais não sei quê. Mas o meu marido está convencidíssimo que não saiu nenhum bilhete (eu penso mais que ele não reparou) e nem se pensou muito nisso já que estávamos mais focados em tirar as malas e ir fazer o check-in no apartamento onde iríamos passar a noite. O que levou a que tivéssemos de pagar uma multa quando estávamos mais tarde para sair com o carro e levá-lo para a rua Njegoševa.

Como podem ver este dia estava a melhorar a cada hora que passava. É também para verem que viajar não é sempre magnífico como se quer fazer crer. O guarda do parque de estacionamento acabou por ter pena de nós, mas não tanto que nos deixasse ir embora sem pagar. Mas em vez de pagarmos 50 euros que era o valor da multa, como informa o placard à saída do parque, ele desceu o preço para 30 se pagássemos a dinheiro.

Antes desta história toda da multa se passar e depois de termos deixado as malas no apartamento Palata Bizanti onde iríamos ficar em Kotor, fui ao supermercado do centro comercial, o iDEA onde comprei 2 bureks já que a fome apertava por esta altura, um de queijo e outro de espinafres. Acabámos por comê-los no carro já depois da multa paga e de termos estacionado onde deveríamos ter feito logo quando chegámos. Por isso apesar da experiência mais azeda, a verdade é que os bureks nos souberam pela vida e posso dizer que foram os melhores da viagem (tanto que voltámos ao mesmo supermercado no dia seguinte, para comprar mais destes folhados).

Assim deixo aqui duas lições: primeiro que vejam bem as condições de estacionamento aonde quer que parem o carro e segundo que por vezes a melhor comida está no supermercado local.

Próximo post

Para o próximo post vamos falar da nossa estadia em Kotor, como por exemplo do apartamento onde ficámos, Palata Bizanti, um dos melhores da viagem, dos locais que visitámos na cidade medieval e da subida ao topo do forte. Tal como a nossa experiência gastronómica, que continuava a deixar-nos fãs deste país.

Ajudem se puderem:

Como nas últimas semanas deixo aqui um apelo para a angariação de doações que estou a organizar para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/

Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.

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