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Último post
No último post focámo-nos na nossa experiência em Bar incluindo os pratos tradicionais que experimentámos. Isto depois da nossa aventura em Stari Bar e no lago Skadar. O post que se segue, o do segundo dia a explorar Montenegro, foi não UM mas O dia mais triste da viagem. Talvez não o mais triste, mas sim o mais murcho ou melancólico e tudo se deveu ao tempo já que esteve practicamente sempre a chover até ao final do dia. Mas como passámos por vários locais importantes em Montenegro mesmo com a chuva não poderíamos deixar de mencioná-los.
Sveti Stefan
Saímos de Bar ainda com o céu cinzento sem chuva, mas isso rapidamente mudou e o tempo foi piorando à medida que avançávamos pela costa de tal forma que quando chegámos à primeira paragem, Sveti Stefan, acabámos por passar muito pouco tempo aqui. Sveti Stefan é uma ilha onde se estabeleceu um resort de luxo, apenas permitida entrada aos hóspedes. A nossa ideia era então passear pela praia que fica de frente e assim ter acesso a várias paisagens desta ilha que é uma das mais fotografadas do mundo. No entanto, a chover a potes, apenas parámos o carro na berma da estrada para tirar uma fotografia rápida.

Apesar de ter passado aqui apenas breves momentos, vou deixar um pouco da história fascinante da origem desta ilha e da sua comunidade. E vou começar pela lenda associada a Sveti Stefan. Para dizer a verdade a sua verdadeira história começa no século XV, pois até então a ilha era habitada por pescadores e as suas famílias. Segundo a lenda, a ilha de Sveti Stefan foi o local onde se estabeleceu as 12 tribos Paštrovići que ajudaram os residentes de Kotor a lutar contra o cerco feito pelos turcos a esta cidade. Durante esta expedição, os guerreiros Paštrovići descobriram navios turcos que não estavam devidamente protegidos e saquearam todas as riquezas que aqui estavam guardadas. Foi decidido que com este tesouro cada uma das 12 tribos contruiria a sua casa na ilha de Sveti Stefan e tornaria esta cidade fortificada para sua própria protecção. E assim nascia uma comunidade autónoma e privada.
A parte do tesouro não pode ser confirmada e daí tratar-se de uma lenda, mas é verdade que houve uma comunidade formada pelas tribos Paštrovići em Sveti Stefan. No século XV esta ilha pertencia à República de Veneza e por isso era uma zona autómata, uma espécie de ilha protegida dos ataques turcos pelos Venezianos sendo em troca um local importante de comércio e outras actividades marítimas para a República. Tornou-se numa comunidade privada e isolada que com o passar dos tempos sofreu uma descida agravada no número de residentes devido à saída destes para outras cidades e países à procura de mais e melhores oportunidades de trabalho. Especialmente porque a protecção oferecida foi dissolvida com a caída da República de Veneza em 1797.
Mais tarde, em 1940, quando a ilha estava practicamente deserta, decidiu-se construir aqui um resort o qual já ganhou vários prémios e contou com a presença de várias figuras internacionais da realeza e das artes. Este resort ganhou o prémio de La Pomme d’Or (a maçã dourada) condecorada pela Federação Mundial de Jornalistas e Escritores de Turismo (FIJET) em 1972. Este prémio é como uma espécie de Óscar para turismo e Sveti Stefan recebeu-o como sendo o resort mais exclusivo do mundo.
Mosteiro Praskvica
O mosteiro Praskvica fica a norte de Stevi Stefan e daqui pode-se ver a ilha e as muitas casas que nela se encontram. Quanto a este mosteiro crê-se que foi construído em 1050, mas apenas há evidência real da sua existência a partir de 1307 quando o rei sérvio Milutin visitou Kotor. O nome do mosteiro, Praskvica, tem origem numa das características particulares da água de uma das nascentes dali perto, pois diz-se que a água tem um cheiro curioso a pêssegos (praskva em montenegrino). No recinto do mosteiro encontra-se a igreja principal, edifício esse que foi construído no século XIX sobre as ruínas da igreja original do século XV e que protege no seu interior os frescos da antiga igreja. Para além da igreja também existe um edifício que era antigamente uma escola de monges, outro com alojamentos e mais acima na colina um cemitério e um edifício dedicado à Santíssima Trindade construído no século XVII.


A visita ao mosteiro é gratuita tal como o estacionamento. Quando parámos aqui não A visita ao mosteiro é gratuita tal como o parque de estacionamento. Quando parámos aqui não tínhamos a certeza se o mosteiro estava aberto ao público, mas fomos tentar a nossa sorte. As primeiras pessoas que vimos foi perto da igreja onde três homens conversam entre si, sendo um claramente o padre pelas roupas que vestia. Depois de um breve cumprimento foi-nos confirmado que podíamos visitar a propriedade. No entanto, a cena que tínhamos acabado de presenciar, os dois homens em pé e o padre sentado completamente refastelado (como se diz na gíria ‘à patrão’) fez lembrar muitas cenas de filmes onde a religião tem o papel principal em vários negócios criminosos. E nem digo nada, porque o que vimos da religião em Montenegro tem muito que se diga, principalmente depois de visitarmos alguns dias mais tarde o Mosteiro de Ostrog.

Quanto à nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde de facto Quanto a nós visitámos a igreja e depois subimos para a zona do cemitério, onde se consegue avistar a ilha Sveti Stefan. Já quanto à nascente com cheiro a pêssegos, não vimos nenhuma. Felizmente enquanto visitámos o mosteiro, a chuva tinha feito uma pausa permitindo que fizéssemos a visita com calma.
Cetinje
A próxima paragem já era em direcção à parte interior de Montenegro, numa cidade chamada Cetinje antes de nos embrenharmos pelo parque nacional Lovćen. Foi mais difícil encontrar estacionamento em Cetinje do que o esperado, e tivemos de deixar o carro numa berma da estrada mesmo ao lado do mosteiro de Cetinje, o que até calhou bem porque era um dos locais que queríamos visitar e mais uma vez estava a chover e bem. E sim, peço desculpa, como se devem ter apercebido o mau tempo vai ser o tema do dia.

E foi a chuva a maior razão para que a visita ao mosteiro fosse breve já que não iríamos explorar a parte exterior. Também a igreja não é muito grande, sendo outra das razões para a rápida visita.
A história do mosteiro de Cetinje começa em 1484 como cumprimento de uma promessa feita por Ivan Crnojević quando este esteve em exílio temporário em Itália. A promessa era de que se voltasse novamente à sua terra natal mandaria construir um mosteiro dedicado à Virgem Maria. E foi o que fez, nascendo este mosteiro, que contava com a tal igreja, e também uma capela, essa dedicada a São Pedro. Foram também construídos edifícios esses com efeitos administrativos e residenciais.

Depois do mosteiro, a nossa ideia era a de ir visitar o museu nacional de Montenegro, também ele em Cetinje. Na verdade, o museu fica mesmo ao lado do mosteiro. No Google de acordo com as informações o museu estava aberto, de acordo com a página oficial do museu, ele estava aberto. Mas a realidade é que demos duas voltas ao museu e não encontrámos nem nenhuma porta aberta nem qualquer sinalização a indicar a entrada. Portanto depois das duas voltas e com a chuva a cair desistimos de dar uma terceira. Gostaria imenso de dizer como era o museu, mas infelizmente não o posso fazer.
Parque nacional Lovćen
Depois de Cetinje, a próxima paragem era dentro do parque nacional de Lovćen. Por esta altura a chuva caia intensamente e depois de entrarmos no parque nacional juntou-se-lhe um nevoeiro que se adensou enquanto subimos até ao Mausoléu de Njegos. Para entrar neste parque nacional é preciso pagar o que é feito à entrada do parque onde há uma pequena casinha para o guarda se abrigar. A entrada para o parque custa 3 euros por pessoa. Não só é preciso pagar para visitar este parque nacional como também o parque nacional de Durmitor, cujo bilhete teve um custo de 5 euros. Neste dia como o tempo estava tão mau nem sequer havia guarda e passámos sem ter de pagar. Pouco nos serviu de contentamento já que quando chegámos ao mausoléu encontrámo-lo fechado devido ao mau tempo. Resignámo-nos ao que estava destinado para aquele dia e voltámos para o carro decidindo que tentaríamos voltar aqui no dia seguinte.
Serpentina de Kotor
Para chegarmos a Kotor desde o parque nacional de Lovcen tínhamos de passar por uma estrada que desce pela colina, chamada a serpentina de Kotor. Como o nome indica esta estrada é formada por curvas e contracurvas muito apertadas e em sequência. Para ser mais precisa são 16 curvas apertadíssimas que percorrem uma distância de 8.3Km.

Nós estávamos mesmo a fazer a última curva quando encontrámos uma fila de carros completamente parados. É que mesmo na curva tinha havido um acidente entre dois carros, acabando com um deles enfiado na estrutura metálica que protege a berma da estrada. E em Montenegro quando há um acidente é preciso chamar e esperar pela polícia. Aliás esse foi um dos avisos da Europcar quando fomos buscar o carro: que em caso de acidente não saíssemos do local, nem movêssemos o carro até que a polícia chegasse. O que demorou perto de uma hora. A sorte é como estava a chover não tínhamos nada planeado para o resto do dia.
Mas claro que quando se espera há sempre um ‘chico-esperto’ que pensa que é mais inteligente do que os outros. Nesta situação, foi um carro que estava atrás de nós que começou a fazer inversão de marcha. Bem começar, começou, acabar é que não acabou. Ele fez aquele trabalho de tal maneira que não só acabou trancado no meio da estrada como ainda bateu contra a estrutura metálica que estava na berma da estrada. E esteve muito perto de bater noutro carro. Podia dizer que isto era só em Montenegro, mas eu bem sei que há artistas destes em todo o lado.
A chegada a Kotor
Depois de finalmente nos vermos livres do acidente e de passarmos o último trecho da serpentina chegámos a Kotor perto das 3 e meia da tarde. E vou começar por deixar a melhor dica em relação ao estacionamento – não procurem mais, ponham esta rua no GPS ou na aplicação que estiverem a usar – para estacionar o carro em Kotor e sem pagar é na rua NJEGOŠEVA. Ao estacionarem aqui estão a evitar stresses e o trânsito caótico da cidade.

E nós é que fomos parvos por não o ter feito logo à chegada. Na verdade, erámos para deixar o carro aqui, mas na rotunda enganámo-nos na saída e fomos em direcção ao centro de Kotor. Acabámos por estacionar em frente ao centro comercial Kamelija onde se pagava. Outra dica, que eu sei que vão dizer que sabem e que não é novidade nenhuma, mas eu também sei que acontece – se estacionarem aqui tenham a certeza de que tiram o bilhete que sai da máquina. Sim, sim é normal em todo o lado e todos sabem isso e mais não sei quê. Mas o meu marido está convencidíssimo que não saiu nenhum bilhete (eu penso mais que ele não reparou) e nem se pensou muito nisso já que estávamos mais focados em tirar as malas e ir fazer o check-in no apartamento onde iríamos passar a noite. O que levou a que tivéssemos de pagar uma multa quando estávamos mais tarde para sair com o carro e levá-lo para a rua Njegoševa.
Como podem ver este dia estava a melhorar a cada hora que passava. É também para verem que viajar não é sempre magnífico como se quer fazer crer. O guarda do parque de estacionamento acabou por ter pena de nós, mas não tanto que nos deixasse ir embora sem pagar. Mas em vez de pagarmos 50 euros que era o valor da multa, como informa o placard à saída do parque, ele desceu o preço para 30 se pagássemos a dinheiro.


Antes desta história toda da multa se passar e depois de termos deixado as malas no apartamento Palata Bizanti onde iríamos ficar em Kotor, fui ao supermercado do centro comercial, o iDEA onde comprei 2 bureks já que a fome apertava por esta altura, um de queijo e outro de espinafres. Acabámos por comê-los no carro já depois da multa paga e de termos estacionado onde deveríamos ter feito logo quando chegámos. Por isso apesar da experiência mais azeda, a verdade é que os bureks nos souberam pela vida e posso dizer que foram os melhores da viagem (tanto que voltámos ao mesmo supermercado no dia seguinte, para comprar mais destes folhados).
Assim deixo aqui duas lições: primeiro que vejam bem as condições de estacionamento aonde quer que parem o carro e segundo que por vezes a melhor comida está no supermercado local.
Próximo post
Para o próximo post vamos falar da nossa estadia em Kotor, como por exemplo do apartamento onde ficámos, Palata Bizanti, um dos melhores da viagem, dos locais que visitámos na cidade medieval e da subida ao topo do forte. Tal como a nossa experiência gastronómica, que continuava a deixar-nos fãs deste país.
Ajudem se puderem:
Como nas últimas semanas deixo aqui um apelo para a angariação de doações que estou a organizar para a SPCA International: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/
Podem ajudar de outra forma como doarem dinheiro ou productos directamente a uma das organizações de Montenegro que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias como a Stray Aid Montenegro.