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Na semana passada falámos da nossa chegada a Montenegro, da nossa recepção pela Europcar quando fomos buscar o carro e as várias paragens que fizemos à volta do lago Skadar. No post desta semana vamos continuar por este primeiro dia da viagem. Durante a tarde visitámos as ruínas da cidade velha de Stari Bar, parámos num dos muitos cafés da cidade e chegámos à nossa última localização do dia, Bar, a cidade junto à costa a sul de Stari Bar.
Stari Bar
Em Stari Bar iríamos centrar a nossa visita nas ruínas da cidade velha e ainda tentar avistar o aqueduto. Estacionámos a 10 minutos do centro da cidade, num parque de estacionamento ao lado de uma espécie de campo de futebol mesmo à entrada da rua Gretvanska Ulica. Decidimos parar o carro logo aqui para evitar qualquer complicação que já é esperada quando se tenta estacionar dentro de uma cidade, ou o estacionamento é extremamente caro ou está completamente lotado ou então é só caos.

Para chegarmos ao centro de Stari Bar fomos subindo pela estrada até à mesquita Škanjević, mas só a podemos ver do lado de fora já que a mesquita, pelo menos àquela hora, estava fechada. Assim sendo, recuámos uns passos e passámos por debaixo de um arco de pedra para aquela que é uma das entradas para a cidade velha de Stari Bar. Pagámos os bilhetes que nos custou 5 euros a cada um e entrámos para aquele que é o maior local arqueológico medieval das Balcãs com mais de 600 edifícios em diferentes estados de conservação, que desde 2010 fazem parte do Património Cultural da UNESCO.
Na Cidade Velha de Stari Bar
Dentro das muralhas encontrámos igrejas, a citadela, a catedral de São Jorge ou o que resta dela, a torre do relógio que continua a ser um dos edifícios mais proeminentes desta cidade para além de outros locais mais da vida quotidiana como o ‘lapidário’ onde se cortava e manuseava a pedra. Apesar das primeiras evidências históricas serem do século X, calcula-se que a sua origem tenha sido por volta do século VI.

O desenvolvimento da cidade de Stari Bar muito teve a ver com a sua localização a 151 metros acima do nível do mar e a 4km da costa. Não só os residentes de Stari Bar tinham uma boa visibilidade de quem quer que viesse na sua direcção como também uma das colinas a escondia da costa, protegendo-a de ataques de piratas. Estes factores associados a um clima ameno e fácil acesso a água doce contribuíram para que a cidade se desenvolvesse e se tornasse num local importante de comércio. Devido à distância da costa a sua actividade comercial não era associada à marítima, mas sim principalmente à da olivicultura. O azeite era o producto mais rentável, no entanto também os minerais como o chumbo, cobre, prata e outro extraídos das minas faziam parte deste comércio o que levou ao desenvolvimento e especialização do artesanato em Stari Bar.
Neste momento, devido ao seu estado de conservação, a cidade já não é habitável principalmente depois do forte terramoto de 1979 o qual provocou bastantes danos às estruturas da cidade velha. Felizmente desde então um projecto de conservação e reconstrução tem estado em curso de forma a preservar esta cidade.


Quanto a nós andámos bastante tempo pelas ruas empedradas da cidade a explorar vários edifícios havendo locais que nos prenderam mais a atenção como as ruínas da catedral de São Jorge construída no século XII e destruída numa explosão em 1881 quando esta fazia de mesquita e local de armazenamento de explosivos, a citadela onde pudemos ver o aqueduto através de uma das janelas e a torre do relógio. Esta torre tem um passado bastante conturbado que conta com ataques de canhão em 1877, a explosão de 1881 e três terramotos em 1905, 1968 e 1979.
Obsessão pela romã montenegrina
Durante a parte final da nossa visita à cidade velha tinha começado a chover e foi-se agravando de tal forma que quando saímos decidimos fazer uma pausa para beber qualquer coisa enquanto esperávamos que a chuva passasse. Mas digo-vos que há por vezes decisões que são mesmo mal tomadas, como foi a de escolher este local para ir tomar café. Fomos lá apenas porque à porta do estabelecimento Velja Vrata estava o dono que nos chamou para a rústica varanda coberta e acabámos por aceitar o convite.
Mas houve logo vários sinais de alarme que infelizmente ignorámos, o primeiro foi a cara de desapontamento quando o senhor se deu conta que afinal erámos estrangeiros o que se traduziu por uma mudança do tom de voz. Depois o meu marido pediu uma cerveja com sumo de romã que é bastante comum em Montenegro o que foi bem aceite, mas quando eu pedi um café foi óbvio que o pedido não foi do agrado do dono. Talvez fosse porque ele não sabia fazer o tal café já que esperou que a mulher chegasse à loja para ela o fazer.


Mas o pior foi que a cada 5 minutos ele vinha perguntar se eu queria sumo de romã, o que recusei de todas as vezes até que ele vem falar das romãs e eu puramente para fazer conversa estava para dizer que em Portugal as romãs fazem parte da tradição do Dia dos Reis, mas ele nem ouviu. Mal falei em Portugal cortou-me a palavra de forma bastante rude e começou a dizer que as romãs de Montenegro é que eram boas e que não queria saber das de Portugal ou das da Turquia. Bem depois deste episódio posso apenas dizer que não ficámos ali muito mais tempo. Mas ser rude deve fazer parte dele já que ele e a mulher também tiveram uma discussão bastante acesa enquanto ali estivemos. O meu conselho é que a menos que queiram beber sumo de romã não vão a este sítio. E ainda fiquei mais aborrecida quando depois de pagarmos os 6 euros pelo café e pela cerveja passarmos por bastante cafés e restaurantes com muito melhor aspecto.
Foi assim mais um episódio caricato neste dia em Montenegro depois do homem com a espingarda no lago Skadar (ler sobre este episódio aqui).
Bar
Quando chegámos a Bar, agora perto da costa e a sul de Stari Bar, chovia a potes. Com o tempo assim não havia nenhum programa melhor do que a de fazer o check-in em Villa Kovacevik onde iríamos passar a nossa segunda noite em Montenegro.
Check-in em Villa Kovacevik
Para estacionar havia duas opções, nós escolhemos a mais barata. Então as opções eram: ou pagava-se pelo estacionamento que fica dentro da propriedade ou não se pagava estacionamento e deixávamos o carro na rua mesmo ao lado. Para dizer a verdade arranjar estacionamento foi bastante fácil e o carro ficou a menos de 50 metros da entrada para a Villa Kovacevik. O estacionamento pago ficava a 7 euros por dia, mas penso que o preço depende da altura do ano.

O check-in foi feito através do uso de códigos que nos foram enviados no dia pela acomodação no booking.com, a plataforma pela qual tínhamos feito a reserva: Villa Kovacevic em Bar (Booking.com). De códigos na mão e depois de estacionarmos o carro e nos resignarmos ao facto da chuva não ir parar fomos quase a correr para o quarto.
Quarto em Villa Kovacevik
A Villa Kovacevik é daqueles locais que no final se fica com uma mistura de opiniões. As primeiras, segundas e terceiras impressões do quarto não foram boas, mas no final da viagem foi onde dormimos melhor. Portanto, ainda continuo com opiniões contrárias em relação ao nosso quarto. E porquê?
Quando entrámos reparámos que o quarto era bastante pequeno. Depois quando nos começámos a acomodar reparámos que o ar condicionado não funcionava, a persiana da janela estava a desfazer-se já meio descaída como se tivesse desistido de existir, e o acesso ao wi-fi era uma espécie de ilusão, ora vinha ora ia, ora parecia que vinha, mas afinal não. No entanto, este foi a acomodação mais barata da viagem e por 25 euros não se podia pedir muito mais. E afinal como disse, passámos uma boa noite de sono. Acho que será mais problemático quando houver mais pessoas hospedadas porque cada vez que alguém entrava era uma barulheira, mas felizmente naquela noite só aconteceu três vezes e quando ainda estávamos acordados.


Para tomar banho também foi engraçado já que as toalhas de banho eram do tamanho de toalhas de mão. Mas o chuveiro tinha água quente que é um dos pontos mais importantes de qualquer sítio onde fique. Qualquer lugar que fique que me faça ou passar frio ou lavar-me com água fria perde-me de imediato.
Basicamente houve coisas boas e coisas más, mas em geral não digo para não ficarem aqui especialmente se estiverem a viajar com um baixo orçamento.
Saquetas de shampoo e gel de banho
Outra coisa da qual temos de falar é agora a mania de oferecerem shampoo e gel de banho em saquetas. Digo-vos já que não funciona, primeiro a quantidade de gel de banho não é suficiente para lavar o corpo todo. É suposto eu ter de decidir que metade do corpo vou lavar naquele dia? E segundo é que algumas destas saquetas são extremamente difíceis de abrir. Nada é mais triste e até vulnerável para um ser humano do que se ver todo nu dentro de um polibã à guerra com uma saqueta minúscula de shampoo.
É por já ter apanhado muitas destas, e até pior, que já tive em locais que gel de banho nem vê-lo que agora vou munida de shampoo, gel de banho, sabonete, creme de corpo e condicionador para o cabelo. Porque essa é outra, os shampoos dessas saquetas costumam tornar o cabelo numa espécie de esfregão de arame. Para não acabar cada viagem com falhas de cabelo agora vou munida com condicionador. E vá até vos deixem dizer que isto é coisas de mulheres, mas a verdade é que me senti muito presunçosa enquanto espalhava o creme de corpo que tinha trazido de casa depois de me limpar com uma toalha de mão. Se isto não é viver à grande também não sei o que é!
Próximo post
Acabo assim este post com esta frustração sobre tomar banho fora de casa. Na próxima semana vamos falar do que visitámos em Bar principalmente sobre a nossa introdução à culinária montenegrina😋
Vou também deixar aqui o link da angariação de fundos que está agora a decorrer para a organização SPCA International. Se puderem ajudem até porque a mais pequena quantia conta 🙏
O link directo para a angariação de fundos é o seguinte: https://www.facebook.com/share/p/1Frw9BVcL6/


Podem também doar dinheiro directamente a uma das organizações que fazem um esforço imenso para ajudar os muitos animais abandonados que vivem em condições precárias espalhados pelo país como esta da qual agora sou doadora: Stray Aid Montenegro