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No último post, o primeiro sobre Montenegro, falámos de algumas das particularidades que é visitar este país tal como de sugestões para melhor se estar preparado para ele. Neste post, começamos com a chegada a Montenegro e a primeira parte do primeiro dia desde o aeroporto de Podgorica onde fomos buscar o carro alugado – experiência essa da qual também vou falar – até ao Lago Skadar e as suas bonitas aldeias.
Em Podgorica
Aterrámos em Podgorica já depois das 9 da noite. Voámos com a Ryanair mas não à hora inicialmente marcada. A nossa ideia era chegar a Podgorica de manhã para aproveitarmos o dia, mas fomos informados pela Ryanair da mudança de horários umas semanas depois de marcarmos os bilhetes. Felizmente ainda não tínhamos marcado nenhum dos alojamentos ou esta alteração teria causado algum transtorno.

O aeroporto de Podgorica é bastante pequeno e foi uma sorte não estar cheio quando chegámos. E muito menos encontrámos máquinas automáticas de leitura de passaportes. Recebemos o carimbo no passaporte à saída, o qual para nós foi uma surpresa, mas felizmente o processo passou-se sem grandes filas ou frustrações. Digo isto porque ainda antes de partir vi alguns vídeos de verdadeiro caos nos aeroportos de Montenegro durante o verão. O que pelo tamanho deste aeroporto é fácil de perceber o porquê.
Apartmentos Aerodrom
O alojamento daquela noite não ficava muito longe do aeroporto, mas como ainda era meia hora a andar e já era de noite cerrada para além do mais àquela hora não havia transportes públicos que nos valessem, aceitámos a proposta do alojamento – a de nos virem buscar ao aeroporto por 10 euros. Se foi caro, já que foi uma viagem de 5 minutos? Sim talvez foi, mas foi a melhor e mais rápida opção disponível.
Depois de fazermos o check-in e de ficarmos a saber que tínhamos pequeno-almoço incluído com a reserva, entrámos no nosso apartamento. O apartamento ficava num edifício individual com direito a uma pequena varanda e jardim. O apartamento era constituído por uma cozinha, uma casa-de-banho e pela cama na zona que fazia de quarto. Tudo muito limpo, remodelado, e bem decorado. Como tinha estado a chover, infelizmente não conseguimos dar um uso apropriado à zona exterior, mas da parte interior podemos dizer que era muito confortável. Esta é certamente uma das nossas recomendações para ficar em Podgorica.


Durante a noite a única parte que não esteve do meu agrado foi o frigorífico que fazia um barulho ensurdecedor, o que se resolveu com uma rápida manobra que consistiu em tirar a ficha da tomada. De resto, não tive queixas e na manhã seguinte bem cedo estávamos prontos para o pequeno-almoço no edifício do restaurante onde tínhamos feito o check-in na noite anterior.
O pequeno-almoço seguiu uma dieta mediterrânea com um pratinho de azeitonas verdes e sumarentas, fatias de queijo de cabra e omeletes que eu pedi de queijo e o meu marido de vegetais que dividimos entre os dois.
Aluguel do carro
Depois do pequeno-almoço e antes do check-out fomos buscar o carro alugado ao aeroporto. Como partimos antes das 8 e meia conseguimos ir buscar o carro e voltar antes da hora do check-out às 11. Assim evitámos andar com as malas atrás, porque hoje sim íamos fazer o caminho entre o apartamento Aerodrom e o aeroporto a pé.

Agora sobre o carro. Decidimos alugar aquele que seria o nosso meio de transporte em Montenegro pela companhia Europcar. Já a tínhamos usado em outras viagens e vendo as classificações das companhias disponíveis foi esta a nossa escolha. Não fizemos a reserva directamente no website da Europcar, mas através da Trip.com. E desta vez, ao contrário do nosso usual, comprámos também um seguro contra todos os riscos (full protection) já que lendo sobre Montenegro uma das maiores aventuras é conduzir. Mas houve um erro da nossa parte, porque para este ser válido tínhamos de apresentar um cartão de crédito, o qual não tínhamos, e os cartões de débito não eram aceites. E sim, esse foi erro nosso, não lemos bem as condições deste seguro e em Montenegro é obrigatório ter-se um seguro. Agora o que não é obrigatório é que esse seguro seja contra todos os riscos, mas sim um seguro contra terceiros. No entanto, não foi isto que nos foi dito na Europcar, aliás nem houve opção – ou adquiríamos o full protection da Europcar ou então não havia carro. Sabem quanto é que esta brincadeira nos custou? Mais de 300 euros para além do depósito. É que não houve mais nenhuma opção de valores, de tipos de seguros, de nada. E esta foi a primeira vez que fomos enganados em Montenegro. Bem-vindos ao nosso mundo dos pagamentos desnecessários em Montenegro.
E o mais engraçado é que tivemos de pagar pelo estacionamento do carro no aeroporto. Deviam ver as nossas caras quando entregámos o papel que nos tinham dado na recepção da Europcar e nos pedirem 3 euros pelo estacionamento. E sim, perguntei quando entregámos o carro se esse era o procedimento para receber um sim e uma espécie de sorriso sarcástico do empregado da Europcar. A única coisa boa de tudo isto é que nos devolveram o depósito logo depois de entregarmos o carro. Mas provavelmente foi só porque tínhamos o seguro contra todos os riscos. E claro que este episódio fez com que a viagem começasse de uma maneira mais azeda.
No lago Skadar
Depois de voltarmos ao apartamento para ir buscar as malas e de check-out feito seguimos em direcção ao sul, ao lago Skadar que faz parte de 1 dos 5 parques nacionais de Montenegro. Este parque nacional, o parque nacional do lago Skadar, foi criado no final do século XX com o objectivo de preservar e proteger o habitat natural incluindo a fauna e a flora. Este lago é o maior das Balcãs e o segundo maior da Europa ocupando uma área que varia entre os 370 e os 530 km e faz parte de 2 países, Albânia e Montenegro, sendo que 2/3 do lago está do lado montenegrino. Este lago tem-se tornado cada vez mais procurado especialmente por amantes da observação de pássaros já que este é o habitat de cerca de 270 espécies algumas delas raras como é o caso do pelicano-caranguejo.

Em relação ao turismo, a actividade mais procurada nesta zona é a viagem de barco que explora as águas do lago. Nós decidimos não fazer esta viagem e sim foi uma decisão tomada depois de ser ponderada, discutida e mutualmente acordada. Achámos que poderíamos usar o dinheiro da viagem para outras experiências, e de qualquer das formas iríamos parar em vários miradouros onde teríamos diferentes paisagens do lago.
Os preços das viagens de barco variam bastante, mas pelos preços que vimos os valores rondam os 70-80 euros, o que não tenho a certeza se era por pessoa ou por barco. No entanto, se quiserem fazer esta viagem podem sempre procurar excursões no GetYourGuide que ficará muito mais em conta comparado com os valores que vimos nas duas vilas por onde passámos, Rijeka Crnojevića e Virpazar. Mas digo que não me arrependo de não ter feito a viagem de barco, apesar de acreditar que é uma experiência bonita.
Ponto panorâmico ‘Pavlova Strana Rijeka Crnojeviča’
Este foi o primeiro lugar onde parámos para ver o Lago Skadar. O ponto panorâmico fica mesmo em frente ao restaurante Konoba Ceklin. Neste ponto consegue-se ver as montanhas ao fundo e uma das muitas curvas deste lago com pequenas ilhotas a espreitarem nas águas calmas. Há aqui um pequeno parque de estacionamento gratuito não havendo qualquer razão para não parar aqui e desfrutar a paisagem.
Rijeka Crnojevića
Depois desta rápida paragem fomos visitar uma das pequenas vilas piscatórias deste parque nacional, Rijeka Crnojevića. Apesar de pequena, esta aldeia tem um valor histórico imenso. Devido ao seu clima ameno quase sempre sem vento, uma das mais famosas dinastias montenegrinas, Petrović-Njegoš, que governou o país entre 1697 e 1918, estabeleceu aqui uma das suas residências de Inverno. Esta zona era particularmente favorecida pelos príncipes Danilo e Nikola. O príncipe Danilo mandou construir a bonita ponte que atravessa o rio em 1853, um dos pontos que nos fez vir visitar esta aldeia, enquanto que o príncipe Nikola mandou construir a ponte que liga esta aldeia a Virpazar já mais tarde em 1905. Rijeka Crnojevića não era só um dos locais favoritos dos seus governantes como durante o século XIX e início do século XX era o local mais importante desta zona para o comércio tendo sido aqui aberta a primeira farmácia do país.

Hoje em dia a aldeia pode ser visitada, mas talvez por virmos num dia de semana cedo e ainda por cima em meados de novembro, não podemos dizer que a vila estava movimentada, muito pelo contrário. Contudo isto fez com que estacionar dentro da aldeia fosse fácil e que pudéssemos andar pelo passadiço junto às águas e visitar a ponte velha (também conhecida como ponte de Danilo em memória ao príncipe) sem multidões. Na verdade, o que mais se viu foram as ofertas das tais viagens de barco. Em relação a estas pareceu-nos que os preços nesta aldeia eram mais elevados do que os de Virpazar talvez por Rijeka Crnojevića se localizar numa zona menos central do lago. Não obstante, para quem gosta de bonitas paisagens e pitorescas aldeias, Rijeka Crnojevića é um local perfeito para visitar no lago Skadar.

Foi em Rijeka Crnojevića que nos começámos a aperceber da grande quantidade de gatos abandonados nas ruas, apesar de nesta altura não sabermos bem se eram abandonados ou se tinham dono, mas eram deixados a andar livremente pela aldeia. Infelizmente depois da minha experiência em Montenegro a primeira opção é a mais provável.
Segundo ponto panorâmico (não o planeado)
O ponto panorâmico que tínhamos no nosso itinerário chama-se no Google Maps ‘Beautiful Panorama of Rijeka Crnojevića’. Quando estávamos prestes a chegar a este ponto encontrámos um sinal junto a uma casa de onde saiu um senhor. Então o que se passava? Para visitar o tal ponto panorâmico era preciso pagar. O senhor deu várias opções se não estou enganada era 2 euros para ir até ao ponto panorâmico e se quiséssemos um licor qualquer eram 5 euros. Ou qualquer coisa assim parecida, eu confesso que o meu cérebro desligou no momento em ele disse que tinha de pagar para ir a um ponto panorâmico. E acho que a minha cara traduzia isso mesmo já que no final o senhor acabou por me aconselhar voltar à estrada de onde tínhamos vindo e parar junto a um banco de madeira no cimo de um morro já que a paisagem dali seria semelhante.

E foi exactamente isso que fizemos. Não há razão nenhuma para ter de pagar por um ponto panorâmico. Eu percebo que provavelmente o caminho atravessa propriedade privada, mas há outras opções, muitos lugares onde se pode parar pelo caminho para ver a paisagem sem ter de gastar dinheiro.
Para chegar ao ponto panorâmico onde fica o tal banco de madeira podem procurar:
- Pelas coordenadas: 42.345700339198864, 19.047305618994525
- Pelo endereço no Google Maps: 82WW+7VH, Municipality, Cetinje, Montenegro
A paisagem deste ponto panorâmico foi realmente uma das mais bonitas que vimos, por isso vale a pena parar aqui.
Terceiro ponto panorâmico (também não o planeado)
Esta foi uma das situações mais caricatas que tivemos em Montenegro. O ponto onde queríamos ir chama-se ‘Poselijani-vandfaldet’ onde supostamente há uma cascata, uma ponte antiga e algumas casas. Mas afinal a estrada para onde tínhamos de virar tinha o símbolo de trânsito proibido. Para decidirmos o que fazer a seguir parámos o carro junto ao ‘monumento ai caduti’.

Do outro lado deste monumento estava parado outro carro com um homem sentado ao volante a ouvir rádio. Estávamos prestes a sair do carro para irmos à tal cascata a pé (o que é preciso fazer de qualquer das formas) quando o homem desliga o rádio, sai lentamente do carro, vai à parte de trás e tira uma espingarda. Em seguida senta-se com ela ao colo no degrau do monumento. Realmente tínhamos passado por vários caçadores durante o caminho, muitos deles sentados à beira da estrada, e sendo o meu pai, o meu sogro e o meu avô caçadores de caça pequena sei bem que a caça em Portugal acontece aos domingos e às quintas-feiras. Suponho que o mesmo aconteça em Montenegro. Contudo, aquele movimento não nos pareceu muito amigável, aliás foi bastante ameaçador, o homem sentado ao nosso lado de espingarda no colo e não é preciso explicar porque nos fomos embora sem sequer sair do carro. Se aquilo era um aviso, o aviso tinha sido dado.
Acabámos por não visitar a cascata, parámos mais à frente numa bifurcação da estrada principal para ver a paisagem, tirar a fotografia obrigatória, e tentarmos perceber o que raio se tinha acabado de passar.
Virpazar
Chegámos a Virpazar por volta do meio-dia e esta seria a última paragem no lago Skadar antes de irmos para sul em direcção a Stari Bar. Virpazar é uma das aldeias/vilas mais conhecidas da zona. Até porque é normalmente de Virpazar que as pessoas apanham o barco para visitar o lago. No final, nós passámos aqui menos tempo do que o esperado. Apesar do movimento naquele dia ser reduzido pareceu-nos este ser um local bastante turístico com vários restaurantes, postos de turismo e barraquinhas a publicitar as tais viagens de barco. Isto apenas para dizer que não achei Virpazar nada de especial. Demos uma volta pelo centro onde se encontra o monumento que comemora a revolta dos montenegrinos que começou a 13 de julho de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, e que resultou na libertação da cidade em 12 dias.


Para além deste monumento também demos alguma atenção à paisagem sobre o lago onde várias canoas de madeira, algumas de aspecto mais rústico, pousavam nas suas águas. Como não havia muito mais para ver voltámos para o carro e subimos Virpazar até outro ponto panorâmico (viewpoint Skadarske Jezoro). Ainda tentámos visitar a fortaleza de Virpazar, Tvrđava Besac, mas como no seu interior encontra-se agora um restaurante e uma loja que penso ser de recordações é preciso pagar para visitar a fortaleza. Com um tom educado, agradecemos a senhora que nos recebeu, mas rejeitámos a visita. E aqui tenho a certeza de que não me arrependo ter poupado alguns euros.
E deixando Virpazar para trás acabava assim a nossa visita ao bonito parque nacional onde se encontra o lago Skadar. Para chegar a Stari Bar apanhámos a M2, a autoestrada, cujo troço teve um custo de 2.50 euros que foram pagos à saída das portagens. Há uma estrada regional sem portagens, mas quando nos demos conta já estávamos na autoestrada e deixámo-nos ficar. Assim o caminho também foi mais rápido e antes das 2 da tarde já andávamos a passear pelas ruínas da cidade velha de Stari Bar.
No próximo post
Depois das primeiras horas em Montenegro, horas essas onde muito se tinha passado, entrámos assim na segunda parte deste dia. Visitámos as ruínas de Stari Bar, tivemos um encontro um pouco desagrável com um aficionado por sumo de romã (sim, é mesmo isso) e fizemos o nosso check-in em Bar (Villa Kovacevik). Para acabar o dia fomos jantar a um restaurante bastante tradicional onde experimentámos ćevapi (uma espécie de salsicha feito com carne picada).
P.S. Durante as semanas em que estou a falar sobre a nossa viagem em Montenegro estou a angariar fundos para a SPCA International, uma das muitas organizações que fazem um trabalho maravilhoso em ajudar animais abandonados.
O link para doações (as quais serão muito agradecidas) é o seguinte: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/
Alternativamente podem tornar-se membros da organização montenegrina Stray Aid Montenegro e doar para esta organização que tem o objectivo de ajudar animais abandonados e dar-lhes um lar em Montenegro: https://strayaidmontenegro.be/

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