Conteúdo desta página
- Visita a Montenegro
- Particularidades do turismo
- Língua
- Gastronomia local
- Condução
- Animais
- Itinerário de uma semana (com mapa)
Visita a Montenegro
Nos últimos anos Montenegro tem sido um dos países que tem ganho popularidade como destino de férias. É um país pequeno, sim, mas tem imenso para oferecer, desde praias, a cidades medievais, a parques nacionais que fazem lembrar os Dolomitas em Itália. A parte mais conhecida de Montenegro é Kotor, uma cidade onde vários navios de turismo param todos os dias, dando a conhecer aos seus hóspedes uma das cidades medievais mais bem conservadas do mundo e parte do Património Mundial da UNESCO. No entanto, nós quisemos mais, quisemos ficar a conhecer as várias partes do país e foi por isso que marcámos uma semana de férias – sábado a sábado – e alugámos um carro para nos deslocarmos à vontade por Montenegro.

Decidimos ir em novembro, que é a altura do ano em que chove mais, mas mesmo assim só apanhámos um dia com chuva, tendo no último dia até andado de manga curta pelo meio das ruas da capital, Podgorica. Mas tivemos de tudo, desde chuva, a bom tempo, a temperaturas amenas a temperaturas negativas. Em cada parte do país foi uma espécie de miniférias dentro das férias, tal era a diferença de cada experiência. Montenegro revelou-se um país bem mais surpreendente do que aquilo que esperava, para os ambos os lados, tanto para o lado positivo como para o lado negativo. Uma semana foi o tempo certo para ficar a conhecer este país e apesar da probabilidade de mau tempo, vir em novembro foi uma das melhores decisões que fizemos, já que os vídeos que vimos dos aeroportos e estradas durante a altura do verão eram de desespero e frustração. E percebe-se porquê – um país tão pequeno e ainda em desenvolvimento tem que forçosamente apresentar certas dificuldades perante o turismo desmedido. Também tínhamos lido que os locais por vezes mostravam algum desdém pelos turistas, que alguns até tinham sido maltratados, e sim conhecemos pessoas um pouco mais carrancudas, mas também conhecemos pessoas muito, mas muito simpáticas.

Passámos por algumas situações caricatas, das quais irei falar nas próximas semanas que tornou esta viagem ainda mais memorável. Eu suma, se aconselho a visitar Montenegro? A resposta é imediata: claro que sim, mas venham preparados para surpresas.
Particularidades do turismo
Aeroporto
O aeroporto mais conhecido de Montenegro é o de Tivat, devido à sua localização perto de Kotor e, portanto, da costa. Curiosamente, a partir de outubro, não há voos de Londres para Tivat e não tivemos outra escolha senão voar para Podgorica, a capital de Montenegro. Para nós, ter apenas uma escolha não teve nenhum impacto já que tínhamos flexibilidade para ajustar o nosso itinerário.

Para entrar no país foi preciso mostrar passaporte uma vez que Montenegro não pertence à União Europeia. E foi assim que tive pela primeira vez um carimbo no passaporte. Mesmo quando fui ao Alasca e a Vancouver não tive direito ao carimbo, por isso esta foi a primeira surpresa da viagem. Voar com apenas o cartão de identificação, como o cartão de cidadão, não é suficiente para visitar Montenegro, sendo mesmo necessário o passaporte.
Taxa de turismo
Só fiquei a saber sobre esta taxa quando já estávamos em Kotor, isto na terceira noite em Montenegro. Esta taxa é obrigatória e tem um custo de 1 euro por pessoa por dia ou 50 cêntimos se for uma criança até 12 anos. Em muitos dos locais esta taxa é chamada de ‘city tax’ e deve ser cobrada pelo alojamento. Tal como os donos do alojamento devem completar um documento com os dados pessoais dos hóspedes incluindo a duração da estadia e depois submeter este documento às autoridades. Se isto não acontecer o problema pode aparecer à saída do país na forma de uma multa. Há duas partes desta regra, a primeira é ser obrigatório avisar as autoridades até 48 horas depois de se entrar no país e a segunda é fazê-lo de cada vez que se muda de alojamento, o que para nós era basicamente todas as noites. Ao descobrirmos estas regras entrámos em contacto com os donos dos locais onde tínhamos ficado nas noites anteriores e felizmente estava tudo conforme a lei. Como fizemos as reservas no booking.com assumimos que estas burocracias tivessem sido feitas de acordo com o esperado, mas para quem faça as reservas através do Airbnb ou em caso de se ficar em casa de amigos ou familiares é preciso verificar qual o processo de forma a evitar problemas. Se isto não for feito pelo alojamento, aos olhos da lei a própria pessoa é responsável pelo pagamento desta taxa de turismo o que pode ser feito indo às autoridades ou a um balcão de turismo. Apesar de ter lido que as autoridades muitas vezes têm a atitude de não quererem saber e que na maioria das vezes isto não é verificado no aeroporto, é melhor prevenir do que pagar 200 euros no final da viagem. O que seria uma maneira desagradável de acabar as férias.
Multibancos
A verdade é que a maior parte dos restaurantes e dos locais que visitámos aceitavam pagamento com cartão de débito. No entanto, nos locais onde ficámos hospedados, em algumas padarias e nas entradas para os parques nacionais, os pagamentos tinham de ser feitos a dinheiro. O meu conselho é que tentem evitar fazer múltiplos levantamentos e quando o fazem levantem uma soma considerável que vos dê para grande parte da viagem. Isto porque os multibancos cobram uma taxa de levantamento que vai desde os 4.95 euros até aos 6-7 euros. E esta taxa é cobrada por cada levantamento. Acho que no total nós fizemos 3 levantamentos, um quando chegámos, outro em Kotor e outro já no penúltimo dia da viagem em Gusinje. E apesar de termos andado a ver qual era o multibanco que cobrava uma taxa menor, não vimos nenhum que não a cobrasse.
Língua
As origens da língua oficial de Montenegro, o montenegrino, estão intrinsecamente ligadas com a história do país. Montenegro ganhou a sua independência do estado Servo-montenegro depois do referendo de 2006, estado esse que se tinha formado quando a Iugoslávia se dissolveu em 1989. Curiosamente, Montenegro já tinha sido independente no século passado, mas em 1920 foi-lhe renegada a independência pelos países europeus e pelos Estados Unidos da América. Em 2006, o montenegrino passou a ser a língua oficial, esta que é quase como um dialecto do sérvio. Por isso para quem fala sérvio é perfeitamente entendido em Montenegro. Apesar de menos faladas, as seguintes línguas também são reconhecidas em Montenegro: o albanês, o bósnio e o croata.

Claro que eu não sei falar montenegrino, nem sérvio, e apesar de quase sempre puder usar o inglês como língua de comunicação houve algumas situações em que tivemos de usar o Google Tradutor para nos ajudar a comunicar. No entanto, tinha estudado um pouco de sérvio, apenas o básico tipo ‘bom dia’ ‘boa tarde’ ‘obrigado’ que apesar de ser pouco, acho que foi em algumas situações recebido de bom grado. Pelo menos tínhamos feito um pequeno esforço. Mas como disse, na maior parte dos sítios pudemos falar em inglês, principalmente nos restaurantes.
Para quem gosta também de aprender o pouco a língua local antes de viajar, para aprender sérvio usei a aplicação ‘Ling’ que para palavras e frases básicas o acesso é gratuito.
Gastronomia local
Eu confesso que uma das razões que me faz adorar viajar é puder experimentar as diferentes gastronomias locais. E em Montenegro o meu lado mais‘foodie’ foi bastante apaparicado. Em cada região há diferentes pratos tradicionais; mais centrado em peixe e marisco na parte junto à costa e mais em carne e lacticínios na zona das montanhas.

E apesar de não termos experimentado tudo o que queríamos, a verdade é que aproveitámos cada refeição para comer pratos típicos de Montenegro. Para dizer a verdade, mesmo que os dias não corressem da melhor maneira, por uma ou outra razão, a verdade é que o jantar voltava a pôr tudo nos eixos. Desde burek (massa filo recheada com queijo, batata ou espinafres) a risoto de choco a sopa de veado a cevapi (carne picada em forma de espetada servida com pão, salada e sour cream), tudo foi delicioso. Houve também oportunidade de experimentar vários doces e bebidas regionais. E aliás, foi em Montenegro que comi o melhor prato de massa da minha vida – e já comi massa várias vezes em Itália!

Os preços das refeições também foram bastante razoáveis, os burek não foram mais do que 3 euros e os jantares variaram entre 16 a 50 euros para duas pessoas. A refeição mais cara foi no parque nacional de Durmitor onde comemos uma espécie de guisado de borrego seguido de sobremesa e aperitivos. Os pormenores de todos os restaurantes, padarias e pastelarias onde comemos serão mencionados à medida que vou escrevendo sobre os vários dias que passámos em Montenegro.
Condução
Parece que sem querer deixei as partes que tiveram um maior impacto para o fim da lista. E conduzir em Montenegro é realmente uma experiência, uma espécie de jogo de sobrevivência sem regras e sem nexo. As regras na estrada são sugestões, não obrigações – esta foi a frase que definiu a nossa experiência nas estradas de Montenegro. Desde inversão de marcha em cima de passadeiras, de carros a buzinarem a pessoas que atravessavam a passadeira com o sinal verde, de ultrapassagens que faziam os carros que vinham do sentido inverso terem de se desviar para a berma, tudo se viu. E nem vale a pena mencionar que os montenegrinos têm uma aversão a conduzir do lado deles da estrada – e mais, quando vêm um carro na direcção deles que está na faixa correcta nem sequer fazem um esforço para se desviarem – se os outros estão incomodados que se mudem eles.

Em cada curva, cada estrada apertada era sempre uma expectativa – mas apesar de ter havido vários sustos a verdade é que felizmente não tivemos grandes problemas. E no final só vimos um acidente, na serpentina em Kotor, uma estrada que é feita de curvas e contracurvas umas atrás das outras bastante apertadas. Por isso suponho que a condução se chame de caos organizado, em que eles têm enraizados as suas próprias regras. Outra coisa a apontar é os sinais de velocidade, pode-se passar de 30km/h para 70km/h depois para 50km/h depois para 70km/h e depois para 20km/h em apenas um pequeno trecho de poucos metros. E até vimos numa das estradas dois sinais juntos um de 50km/h e outro de 70km/h. Suponho que a velocidade era à escolha do condutor. Vimos também muitas paragens stop da polícia e fomos avisados algumas vezes de que a polícia patrulhava aquela zona pelo sinal de luzes feitos pelos carros que vinham no sentido contrário. Um sinal mundialmente reconhecido. Ou seja, conduzir é Montenegro não é para todos e muito menos para quem tem pouca experiência. Pode levar a alguns ataques de coração.
Animais
Esta foi a parte que mais me traumatizou e a que ficou comigo até hoje e penso que vá ficar por muito mais tempo – o número de animais abandonados que encontrámos em todas as partes do país. Em Kotor, foram mais gatos abandonados, enquanto no resto do país foram cães. E para quem tem uma adoração por cães como nós, acreditem que vêm de coração partido. Montenegro sendo um país ainda em desenvolvimento está bastante atrasado em termos de protecção dos animais – não há canis e as organizações que há, vivem apenas de donativos, há uma aversão à esterilização dos animais, já que há uma cultura enraizada de que este processo vai contra a natureza, e não há qualquer punição para os donos que abandonem os seus animais. Há imenso trabalho a fazer nesta área e a quantidade de cães a sofrer e a passar fome é destruidora.

Em alguns locais os cães vivem na rua em grandes grupos como vimos no parque nacional de Durmitor, mais especificamente no Lago Crno e depois em Gusinje no parque nacional de Prokletije. Mas pelo caminho, vimos muitos cães abandonados no meio do nada, vimos em Podgorica uma cadela com 3 pernas que tinha um pequenito escondido atrás de um caixote do lixo. E os cães que encontrámos eram todos tão meiguinhos, a pedir mimos, a pedir uma casa. Um dos episódios que mais me marcou foi em Durmitor quando um cão que veio pedir festas no início do caminho, quase nos saltou para o colo quando estávamos para ir embora, a agarrar os nossos braços com as patas e a ganir. A pedir para lhe darmos um lar. Acreditem que é difícil desiludir uma pessoa, mas agora desiludir um cão a sensação é muito, mas muito pior. Também em Gusinje conhecemos um cãozinho que andava atrás de nós. Aí tive mesmo de ir comprar comida para lhe dar, o meu coração não conseguia mais lidar com isto. Depois de voltar a Inglaterra contactei o dono do local onde tínhamos ficado em Gusinje para saber se havia alguma coisa que se pudesse fazer tal como doar comida, tentar encontrar uma casa para o cão. Felizmente o dono do sítio onde ficámos assegurou-me que ele próprio lhe dá comida 3 vezes ao dia e que na altura do inverno o cão dorme dentro de casa. Mas nem todos têm esta protecção.

Também em Kotor ouvimos uma senhora a dizer enquanto dava comida aos gatos que ao contrário do que se pensa, as pessoas não cuidam nem alimentam os gatos abandonados. Apesar de estes animais serem uma ‘imagem’ da cidade, a verdade é que não há muitas pessoas a cuidar deles. Os gatos foram trazidos para Kotor para ajudar na eliminação de ratos, um problema que estava a assaltar a cidade, mas hoje em dia, há uma criação desmedida de gatos pela cidade, sem leis para os protegerem.
E é por isto que já comecei a doar dinheiro mensalmente para uma das organizações que tentam salvar o maior número de animais abandonados em Montenegro e dar-lhes uma casa. Se puderem, peço-vos que façam o mesmo, nesta ou em outra instituição: https://strayaidmontenegro.be/
E também é por isto que durante as semanas de que estarei a falar de Montenegro estarei a angariar dinheiro para SPCA international que ajuda também a organização em Montenegro. Se puderem dar nem que seja 1 euro, já estão a fazer a diferença. Para fazerem o vosso donativo vão ao meu perfil pessoal do Facebook: https://www.facebook.com/donate/1528104408407321/26285399937729841/


Eu farei um donativo por cada post que fizer sobre Montenegro neste blog para a SPCA international. Porque cada animal merece amor, respeito e uma vida sem medo de rejeição.
Itinerário de uma semana (com mapa)
Todos os detalhes da nossa viagem a Montenegro ficarão disponíveis nas próximas semanas. No entanto deixo aqui o mapa geral seguido do esqueleto do nosso itinerário.
Dia 1
- Aterrar e dormir em Podgorica (check-in no Apartment Aerodrom)
Dia 2
- Pequeno-almoço no Apartament Aerodrom
- Explorar Lake Skadar – parámos em Rijeka Crnojevića e em Virpazar. Pelo caminho fomos também parando em certos locais panorâmicos (sugestões e dicas serão fornecidas no relevante post)
- Visitar a cidade velha de Stari Bar
- Dormir em Villa Kovacevik em Bar
- Jantar em Banjalučki Ćevap

Dia 3
- Visitar em Bar a igreja de St Jovan Vladimir
- Pequeno-almoço em Burekdzinica Fontana (burek)
- Visitar Sveti Stefan e o mosteiro Praskvica
- Visitar o mosteiro em Cetinje e o mausoléu Njegoš (este último estava fechado devido ao mau tempo)
- Check-in em Kotor (apartmento Palata Bizanti)
- Visitar a cidade velha de Kotor (incluindo a igreja de São Nicolau, a igreja de São Lucas e a igreja de São Pedro de Cetinje)
- Jantar no restaurante La Cathedral Pasta Bar

Dia 4
- Subir a fortaleza de Kotor
- Visitar a catedral de São Trifão em Kotor
- Passear pelas ruas da cidade velha de Kotor
- Parar na pastelaria Senso Kotor para provar o bolo tradicional – Krempita
- Passear pelas muralhas de Kotor
- Voltar ao parque nacional Lovcén para visitar o mausoléu Njegoš
- Parar no ponto panorâmico Monte 1350 Bar
- Visitar a cidade velha de Budva
- Check-in em Perast (Apartments Jovanovic)
- Jantar no restaurante Armonia

Dia 5
- Pequeno-almoço no café Šijavoga
- Visitar a ilha Lady of the Rocks (Senhora das Rochas)
- Parar no ponto panorâmico do lago Slano
- Visitar o mosteiro ortodoxo de Ostrog
- Parar perto do lago Vražje (lago do diabo)
- Check-in em Žabljak (apartamento Duke)
- Jantar no restaurante O’ro

Dia 6
- Pequeno-almoço de uma pequena padaria (Pekara) em Žabljak
- Fazer o trilho à volta do lago Crno no parque nacional de Durmitor e explorar arredores
- Subir o pequeno trilho para o ponto panorâmico de Ćurevac
- Conduzir e parar em vários pontos da rota cénica (o anel de Durmitor) passando por Mala Crna Gora, o desfiladeiro Sušica, Nedajno, Trsa, Pišče, Sedlo e Žabljak
- Jantar no restaurante O’ro em Žabljak

Dia 7
- Pequeno-almoço da Pekara de Žabljak
- Parar na ponte Tara e fazer o zipline que atravessa o desfiladeiro
- Conduzir até à vila de Gusinje no parque nacional de Prokletije
- Check-in no Kula Nekovica
- Visitar as nascentes de Ali Pasha
- Visitar a cascata Grja
- Jantar no restaurante Alipašini izvori

Dia 8
- Pequeno-almoço no Kula Nekovica
- Conduzir até Podgorica
- Visitar a cascata de Niagara e a zona em redor
- Explorar o grande parque Gorica na cidade de Podgorica
- Visitar o templo ortodoxo da Resurreição de Jesus
- Passear pelo parque Kraljev
- Jantar no Gyros by Rumi
- Apanhar o avião de volta para casa no aeroporto de Podgorica

Espero que todos os pormenores da nossa viagem vos sejam úteis para preparar a vossa até Montenegro. Tudo neste blog durante as próximas semanas.