Índice desta página
- Chegar a Córdoba a partir de Ronda
- Em Córdoba
- Centro histórico de Córdoba
- Plaza de la Corredera
- Templo Romano de Córdoba
- Iglesia de San Francisco e de San Eulogio de la Axerquia
Chegar a Córdoba a partir de Ronda
Segunda-feira era o dia em que íamos trocar Ronda por Córdoba. Para chegar a Córdoba de Ronda tínhamos algumas opções. A nossa escolha dependeu de três factores; não chegar muito tarde a Córdoba para pudermos ainda visitar a cidade naquele dia, evitar muito tempo em viagem e o preço dos bilhetes.
A opção mais rápida e simples era apanhar o comboio que fazia a travessia directa entre Ronda e Córdoba. No entanto, esse comboio era só às 5 e meia da tarde e já chegávamos a Córdoba depois das 7. Apesar de termos adorado Ronda, já tínhamos visto aquilo que queríamos e portanto esta opção foi excluída.

O percurso que decidimos fazer foi o seguinte: primeiro apanhar o comboio em Ronda até à estação Antequera-Santa Ana e depois aqui apanhar o comboio para Córdoba. A viagem demoraria no total cerca de duas horas e meia. Tínhamos dois horários possíveis, apanhar o comboio em Ronda às 7:47 ou ao 12:34. Apesar da hora mais tardia ser mais apelativa, pois assim podíamos tomar o pequeno-almoço de manhã e talvez ainda dar um passeio de despedida, acabámos por escolher o das 7:47. O porquê? O preço dos bilhetes dos comboios; enquanto que a viagem de manhã cedo ficou-nos a 13 euros e qualquer coisa por pessoa, o do meio-dia ia ficar perto dos 30 euros.
Foi por isso que na segunda-feira de manhã acordámos bem cedo e às 7 e meia já estávamos a chegar à estação de comboios de Ronda. Comprámos os bilhetes do primeiro comboio na segunda-feira de manhã, não na noite anterior em caso de não acordarmos a tempo, e depois os bilhetes para Córdoba na estação de Antequera-Santa Ana. Como havia uma diferença de meia hora entre a chegada de um e a partida do outro comboio não houve problemas em fazer assim.

Da viagem só posso dizer que correu tudo bem, ambos os comboios chegaram a horas e apesar de a paisagem não ter sido tão surpreendente como a que foi na viagem entre Sevilha e Ronda, valeu a pena não adormecer e ir a olhar pela janela durante o percurso. Para dizer a verdade a viagem acabou por passar num instante e às 10 e pouco da manhã já estávamos em Córdoba.
Em Córdoba
Apartamento El balcón de la Trinidad Córdoba
Como sabíamos que íamos chegar à cidade bastante mais cedo do que a hora do check-in, já tínhamos contactado no dia anterior o senhorio do local onde íamos ficar em Córdoba. Foi ainda melhor do que esperávamos, não só nos deixou pôr as malas no apartamento mais cedo, como pudemos fazer o check-in quando chegámos de manhã, sem os problemas que tivemos no Hotel Colón em Ronda.


O apartamento em que ficámos, o apartamento El balcón de la Trinidad Córdoba, foi uma muito boa escolha. Óptima localização, apartamento renovado, moderno, espaçoso e limpo. E ao contrário do esperado neste tipo de acomodação, este também incluía pequeno-almoço que era no café que ficava à entrada do prédio, o café Trinidad. O senhorio tinha-nos deixado 4 cartões, um por pessoa e por dia, os quais entregávamos de manhã ao dono do café em troca do pequeno-almoço.
Centro histórico de Córdoba
Livres das nossas malas, fomos fazer o primeiro reconhecimento de Córdoba. Como disse acima, a localização do apartamento era excelente, a menos de 5 minutos do centro histórico. Mas no fundo Córdoba é uma cidade bastante pequena onde se vai a qualquer lugar a pé sem grande esforço.

Eu confesso que nunca tinha tido curiosidade em visitar Córdoba e por isso não tinha expectativas sobre o que viria encontrar. A minha ideia de Córdoba era uma página em branco. Mas o que viemos a conhecer foi uma cidade super gira, cheias de ruazinhas, cantos e recantos muito pitorescos e mesmo sendo janeiro, muitos desses cantos e recantos estavam decorados com pequenos vasos de flores pendurados nas paredes. Rapidamente percebemos que isto faz parte da arquitectura tradicional Cordobesa, mais conhecida por pátios cordobeses. Este tipo de decoração dos pátios, os espaços exteriores que ficam como que escondidos no meio de vários tipos de construções, incluindo casas, arcos e outros edifícios, teve origem durante o período de Al-Andalus (711-1492). Este é o mesmo período sobre o qual falámos quando visitámos Ronda e as ruínas da cidade hispano-muçulmana.
Estes pátios assim construídos tal como as ruas estreitas tinham o objectivo de baixar a temperatura sentida no solo durante os meses de Verão, altura em que a temperatura ultrapassa facilmente os 40ºC. Este tipo de arquitectura é de tal forma eficaz que a temperatura no solo pode ser de quase menos 10 graus do que na atmosfera. Os pátios cordobeses foram nomeados como ‘Património Cultural Imaterial da Humanidade’ pela UNESCO em 2012.
Durante as duas primeiras semanas de maio, em Córdoba, realiza-se o Festival de los Patios Cordobeses onde as pessoas abrem ao público os pátios das suas casas decorados a rigor. Esta competição existe desde 1921 e durante esta altura em maio podem-se ver verdadeiras obras de arte em jardinagem.
Calleja de Los Ángeles e Calleja de las Flores
Apesar de não termos visitado Córdoba durante o festival em maio, encontrámos mesmo assim muitas ruazinhas decoradas a rigor. Duas das ruas que vale a pena mencionar é a Calleja de Los Ángeles, a qual visitámos por acaso quando estávamos de passagem e a Calleja de las Flores que é possivelmente a mais conhecida, até porque foi várias vezes mencionada como a rua mais bonita de Córdoba. Nesta ruazinha, depois de se passar por baixo do arco, chega-se a um pequeno pátio sem saída. Se olharmos para a entrada da rua conseguimos vislumbrar a torre da famosa Mezquita-Catedral de Córdoba.


Vale imenso a pena tirar algum tempo para passear pelo centro histórico de Córdoba. Houve umas ruas que nos encantaram mais outras menos, mas tudo muito bonito. Não é de admirar que o centro histórico de Córdoba tenha sido nomeado ‘Património da Humanidade’ pela UNESCO em 1994.
Dentro do centro histórico não tínhamos nenhum itinerário definido, apenas o nome de algumas ruas por onde passar, e depois de andarmos por ali durante um bocado acabámos num pátio cheio de laranjeiras. Ficámos a saber que é neste pátio que fica a entrada da Mezquita-Catedral de Córdoba, a qual iríamos visitar no dia seguinte. Este pátio chama-se Patios de los Naranjos e é fácil perceber a origem do seu nome.
Plaza de la Corredera
Já começando a desviar-nos do centro histórico passámos por esta praça, a Plaza de la Corredera. Hoje em dia este espaço é partilhado por várias lojas e restaurantes, mas na idade média e na época do Renascimento era nesta praça que decorriam as execuções e corridas de cavalos, as quais deram o nome a esta praça. Depois de uma rápida passagem por aqui fomos para o local seguinte, o Templo Romano de Córdoba.

Templo Romano de Córdoba
Da Plaza de la Corredera até aqui foram mais ou menos 5 minutos a pé. E soubemos que chegámos quando vimos as colunas do templo romano, que por esta altura estavam rodeadas por escavadoras. Tal como merece a fama, onde há obras, de que tipo forem, há homens com as mãos atrás das costas, conversando entre si dando certamente a sua opinião de especialista sobre os trabalhos que decorrem. E aqui não foi diferente.

As obras que estavam a decorrer são obras relacionadas com arqueologia, até porque estas colunas que agora estão à vista, foram apenas descobertas em 1950 altura em se iniciaram os trabalhos de extensão do edifício da câmara municipal. E, portanto, espera-se encontrar nesta área outros artefactos daquela época. Este templo do século I era dedicado ao Imperador e originalmente tinha um palco elevado com 6 colunas coríntias à entrada.
Iglesia de San Francisco e de San Eulogio de la Axerquia
Enquanto passeávamos pelas ruas, agora já a pensar onde ir comer qualquer coisa, vimos esta igreja, a Iglesia de San Francisco e de San Eulogio de la Axerquia, e decidimos entrar. Não pensem que não tínhamos um itinerário planeado para este dia, mas realmente fica tudo muito perto. Para vos dar uma ideia saímos de casa pouco antes das 11 e visitámos tudo do que tenho falado em apenas 2 horas.
Quando entrámos na igreja perguntaram-nos se tínhamos comprados os bilhetes para visitar a Mezquita-Catedral de Córdoba, pois com esses bilhetes tínhamos acesso gratuito a todas as igrejas que faziam parte da Rota das Igrejas Fernandinas. Foi-nos também dado um mapa, o qual podem ver abaixo, com todas as igrejas que podíamos visitar. Não será preciso dizer que visitámos muitas igrejas enquanto estivemos em Córdoba.

Esta rota é uma homenagem a Fernando III, o Santo, que em 29 de junho de 1236, trouxe de volta o catolicismo a Córdoba. Fernando III era o rei de Castela (1217 – 1252) e rei de Leão (1230 – 1252), e foi durante o seu reinado que reconquistou grande parte do território que pertencia a Al-Andalus. A rota começa na Mezquita-Catedral (ponto número 1 no mapa) que foi construída primeiro como basílica, depois tornou-se mesquita e voltou de novo ao poder cristão após a conquista de Fernando III. Em seu nome foram construídas várias igrejas que podem ser visitadas nesta rota.
Para o próximo post
Depois de visitarmos a nossa primeira igreja em Córdoba estava na hora de procurarmos algo para petiscar. E foi isso o resto do nosso dia, parar em locais para experimentar diferentes pratos gastronómicos tradicionais, entre visitas a diferentes locais da cidade. Toda a gastronomia e locais ficam para a próxima semana.