Índice nesta página
- Plano inicial para o Parc Güell
- Do sonho da urbanização privada a parque público
- O percurso que fizemos pelo Parc Güell
- Património Mundial da UNESCO
No último post (ver aqui) ficámos na paragem de autocarro perto do Parc Güell. Chegámos à entrada do parque com 5 minutos de antecedência e foi aqui que nos disseram que a hora que estava nos bilhetes era a de entrada na Casa-Museu de Gaudí e que era para aí que nos devíamos dirigir imediatamente.

Com estas instrucçōes seguimos as tabuletas que indicavam o caminho e foi assim que o começo da nossa visita foi na casa onde Gaudí viveu com o seu pai e com a sua sobrinha desde 1906. De todos os locais que visitámos em Barcelona, este foi sem dúvida o local onde passámos mais tempo e mesmo assim não o vimos todo. Mas acho que vimos o suficiente para saber que este parque público não é um parque normal e que o contributo de Gaudí tornou este lugar de grande valor cultural e artístico.
Plano inicial para o Parc Güell
Eusebi Güell, um empresário catalão que fez a sua riqueza com a revolução industrial na Catalunha, deu o projecto do Parc Güell a Gaudí em 1900. Mas a relação entre os dois já vinha de anos vindouros, tendo começado em 1878 quando Güell viu uma vitrine que Gaudí criou para um vendedor de luvas, Esteve Comella, na Exibição Universal em Paris. A partir desta data houve vários projectos que levaram Güell a contractar Gaudí como colaborador o que deu a oportunidade a este de trabalhar com outros arquitectos como Joan Martorell i Montells e Francesc Berenguer. Um destes projectos foi a construção da casa da família Güell no centro de Barcelona, o Palau Güell em 1898. O Palau Güell para quem o queira visitar fica numa rua transversal à Las Ramblas do lado oposto da rua onde jantámos no dia anterior, o restaurante Colom.

Eusebi Güell adquiriu o terreno de 12 hectares na Muntanya Pelada (montanha nua) com a intenção de construir aqui uma urbanização privada para famílias abastadas. Eusebi Güell terá pensado que aquela zona seria muito procurada uma vez que ficava no meio da montanha com vistas magníficas para o mar e para a cidade. O plano era de construir 60 lotes para 60 casas, mas no final apenas duas foram construídas.
Apesar do projecto não ter tido o sucesso pretendido o seu planeamento inicial requereu um especial cuidado devido ao tipo de terreno da propriedade. Gaudí construiu vários sistemas para recolher e armazenar água, tendo estes sido projectados com base nos sistemas rurais que o arquitecto tinha conhecido na sua infância. Também Gaudí não quis remover a flora local e apenas adicionou plantas mediterrâneas que não necessitassem de muita água. Estas escolhas e acções foram para proteger o solo da erosão causada pelas chuvas fortes do mediterrâneo e para que houvesse água suficiente para os habitantes da urbanização.

A construção do parque começou em 1900 e em 1907 já a praça principal (a que se deram os nomes de Teatro Grego e Praça da Natureza) recebia vários eventos. Em 1914 foi concluído o famoso banco que rodeia esta praça o qual é muito procurado hoje. Aliás aviso desde já que há uma grande competição para tirar fotografias neste longo banco. E como se sabe o que acontece neste tipo de sítios, o comportamento humano torna- se ridículo e até desrespeitoso. Afinal não precisamos de nos sentar ao colo de desconhecidos para tirar a fotografia de um certo ângulo. Enfim, problemas de primeiro mundo.

Como disse acima no final apenas duas casas foram construídas e a primeira foi a casa Trias quando o primeiro lote foi vendido em 1902 ao advogado Martí Trias i Demènech. Ao mesmo tempo que esta casa era construída pelo arquitecto Juli Batllevel também era construída a casa modelo (que hoje é a Casa-Museu) projectada pelo assistente de Gaudí, Francesc Berenguer. O objectivo desta casa era de incentivar a compra de lotes na propriedade. Como já disse, Gaudí mudou-se para aqui com a sua família em 1906. Também Güell e a sua família mudaram-se para o parque depois da casa Larrard ser remodelada em 1907.
Do sonho da urbanização privada a parque público
Em 1914 devido à falta de compradores o projecto tornou-se inviável. E a falta de interesse deveu-se a vários factores; a antigos e complexos arrendamentos enfitêuticos, a falta de um sistema de transportes apropriado e a exclusividade do empreendimento. A propriedade tornou-se então num grande jardim privado onde decorriam eventos públicos e o qual começou a atrair grande interesse turístico.
Depois de Güell morrer em 1918 a família doou o parque à Câmara Municipal que se tornou a sua oficial proprietária a 26 de maio de 1922. A casa onde a família Güell viveu tornou-se numa escola e a casa modelo foi aberta ao público em 1963.


Para além dos locais já mencionados outras zonas de interesse podem ser visitadas, tais como:
- Viadutos (nos 3 níveis do parque)
- Entrada e os pavilhões da guarita do porteiro (entrada sul)
- Montanha das Três Cruzes
- Jardins da Aústria
- Caminho das Palmeiras
- Escadaria do Dragão
- Roteiro da Biodiversidade
O percurso que fizemos pelo Parc Güell

Nós não entramos pela porta principal na zona sul do parque, mas antes pela entrada mais a norte ao pé da Casa-Museu (número 5 no mapa) e foi por esta casa que começamos a visita.
Descemos depois até ao Teatro Grego para nos sentarmos e apreciar a vista magnífica da cidade. Bastou alguns minutos ali para nos apercebemos da tal euforia desmedida para tirar a fotografia no ponto certo o que fez com que o civismo e o respeito pelo espaço pessoal fossem descartados. E foi por isso que não ficámos muito tempo aqui e subimos pelo roteiro da biodiversidade (ponto 2 no mapa). Chegámos ao ponto mais alto do parque (ponto 1 no mapa) onde se encontram as 3 cruzes. Nos planos iniciais para este parque aqui pretendia-se construir uma capela para os habitantes da urbanização, mas como tal não aconteceu as cruzes foram colocadas ali para marcar o local.

Foi por trás deste local, agora voltados para as montanhas, que nos sentámos por um bom bocado nos bancos. Afinal parecendo que não o dia estava a ser longo. Interessante, mas longo. Deste ponto do parque conseguimos avistar Tibidabo onde se encontra o Templo do Sagrado Coração.
Depois das fotografias tiradas, conversa posta em dia e pés e pernas mais repousados começámos a dirigir-nos para a saída agora passando pela casa de Trias (ponto 4 no mapa). Pelo itinerário que fizemos fomos passando pelos viadutos construídos nos vários níveis da montanha, o que tornou o caminho ainda mais bonito.

Os bilhetes para o Parc Güell, sem a visita à Casa-Museu, custam 18 euros e com a Casa-Museu custam 24 euros por pessoa.
Para quem quer conhecer o Parc Güell sem sair do sofá, o melhor é mesmo aproveitar a tour virtual disponível em: https://parkguell.barcelona/visitavirtual/
Património Mundial da UNESCO
No Parc Güell acabava-se a nossa viagem pelas obras de arte de Gaudí. O resto da viagem seria passada a conhecer outros locais por Barcelona que não estavam associados a este grande arquitecto catalão. E sim, sem dúvidas que Gaudí foi um grande arquitecto, sendo 7 das suas construções parte do Património Mundial da UNESCO. Para além dos locais que visitámos nesta viagem – Casa Battlò, Casa Milà (La Pedrera), a fachada da natividade da La Sagrada Família e o Parc Güell – também outros edifícios de Gaudí constatam nesta lista, os quais são:
- Palau Güell
- Casa Vicens
- Cripta da Colónia Guell
Todos estes locais podem ser visitados e certamente que valerá a pena incluí-los nos vossos itinerários.
No próximo post vamos passar à parte sul da cidade para acabar este dia fantástico.