Ramblas, mercado e paella

Depois de visitar as casas de Gaudí no Passeig de Gracìa era altura de começarmos chegar-nps à zona do restaurante onde queríamos jantar naquele dia. Para isso começámos a descer a rua passando pela Praça da Catalunha, um local a fervilhar de gente mesmo no coração de Barcelona em direcção a outra rua bastante conhecida na cidade, La Rambla ou Las Ramblas.

Entrada principal para o mercado St Josep (La Boquería) pelas Las Ramblas

O uso do plural, Las Ramblas, é porque a rua consiste na verdade em 5 trechos, 5 ramblas, que seguem pela a rua abaixo. Las Ramblas liga a parte alta da cidade que parte da praça da Catalunha até ao passeio marítimo mais especificamente ao Mirante de Colom.


Breve história de Las Ramblas

Durante o Império Romano Las Ramblas não tinha o mesmo aspecto de hoje, até porque na altura esta rua era rodeada por dois ribeiros que transbordavam quando chovia inundando por completo a zona. Mas em alturas de pouca chuva esta era usada como local de passagem para viajantes e fazendeiros. No século XV, mais precisamente em 1440, foi construída a muralha do Raval o que fez com que o rio Malla, que chegava até às Las Ramblas, se desviasse colocando esta zona a descoberto. E pode-se dizer que esta foi a verdadeira origem das Las Ramblas. Com isto esta zona começou rapidamente a desenvolver-se e no século XIX era um dos locais predilectos de vários artistos na cidade.

Em 1888 foi construído o Monument a Colom (Monumento a Colombo) devido à Exposição Universal organizada em Barcelona nesse ano. Este monumento ainda existe e encontra-se na ponta sul (ao pé do mar) das Las Ramblas.

Hoje Las Ramblas é uma, senão a, rua mais visitada em Barcelona onde fica também o mercado de Sant Josep (São José) mais conhecido por La Boquería.


Mercado La Boquería

E foi a este mercado que fomos a seguir, e acreditem que é muito fácil ficar-se tentado a comprar alguma guloseira, seja ela doce ou salgada. E a tentação está por todo o lado, neste enorme mercado onde se encontra várias barraquinhas a vender enchidos, queijos, frutas, gomas, chocolates, empanadas, enfim frios, crus, cozidos e quentes todos juntos no mesmo espaço. E a preços bastante simpáticos para Barcelona.

Breve história de La Boquería

Os primeiros registros da existência de um mercado nesta zona da cidade remonta a 1217. Neles mencionam-se bancas temporárias que vendiam carne na praça de La Boquería, fazendo estas partes de um conjunto de vários mercados. Como disse acima por esta altura ainda havia o risco de inundação e por isso estas bancas eram montadas apenas quando era possível.

Entre 1701 e 1900 o mercado passou por várias mudanças. Por exemplo, em 1777 depois da demolição do arco do portal da Boquería que fazia parte do antigo muro das Las Ramblas, as bancas de carne mudaram-se para o passeio marítimo, que fica ao pé do mar, na ponta sul das Las Ramblas. Mais tarde já no século XIX o mercado foi mudado para o jardim do convento de St Josep e temporariamente em 1823 para o convento dos Carmelitas. Em 1827 quando foi publicado o primeiro regulamento para o mercado este já contava com mais de 200 bancas; 100 a vender carne fresca e curada, 48 a vender peixe e as restantes a vender produtos diversos.

A 28 de março de 1836 o mercado muda outra vez de localização desta vez para onde ficava o convento de St. Josep destruído depois do grande incêndio em 1835. Apesar de ser aqui a sua morada permanente até aos dias de hoje foi só em 19 de março de 1840 que se começa a construir o espaço do mercado propriamente dito seguindo o projecto de Josep Mas i Villa. Neste projecto o espaço central era para as várias bancadas enquanto que a peixaria ficaria numa outra localização, na praça de Sant Galdric. Mais tarde em 1911, também as bancas de peixe se mudam para o espaço central do mercado.

Em 1913 é colocado o arco à entrada que seguia o movimento artística da época, o modernismo e um ano mais tarde, em 1914, é colocada a cobertura metálica sobre o mercado.

Mais recentemente, mais precisamente desde 1985 várias remodelações e alterações têm acontecido de forma a manter este que é o mercado municipal mais antigo de Barcelona. Hoje em dia são aqui agendados vários eventos culturais, os quais podem ver no site oficial do mercado: https://www.boqueria.barcelona/home

Para além de poderem assistir a estes eventos é claro que também se aconselha a passear pelos vários corredores do mercado passando pelas várias bancas para se deixarem cair na tentação das iguarias espanholas.


Restaurante Colom

Para jantar queríamos um prato tradicional e nada é mais tradicional do que a famosa paella. Depois de uma pesquisa sobre onde comer a melhor paella escolhemos o restaurante Colom avaliado em 4.7 (em 5). Para chegar a este restaurante basta descer Las Ramblas e entrar por uma rua transveral a Carrer del Escudellers. Como os espanhóis normalmente jantam bastante tarde nós às 7 e pouco já estavámos a ir para o restaurante até porque o restaurante não aceita reservas. Mas mesmo a esta hora já havia uma fila enorme. Acho que não minto quando digo que estivemos uma hora na fila à espera da nossa vez mas finalmente entrámos. O interior do restaurante é bastante rústico com pinturas e objectos marinhos tal como o nome sugere. Afinal Cristovão Colombo (ou Colom, Colón, Columbus, como preferirem) teve um papel enorme nos descobrimentos tendo sido ele quem descobriu a América sob a armada Espanhola.

Para jantar pedimos 3 paellas, 1 de frango, uma mista (marisco e carne) e 1 vegetariana. As paellas eram enormes mas nós comemos tudo porque eram mesmo muito boas. E bastante baratas apesar de ter pensado que o preço do menu era por paella mas afinal era por pessoa. E por paella são duas pessoas, por isso acabou por ser o dobro do que pensava. Mas mesmo assim não foi caro, afinal por pessoa foi 9 euros e meio. E como disse a paella, melhor as paellas, eram muito boas incluindo a vegetariana.

Ainda pedimos sobremesa que eu acho que foi caro para o que era, duas bolas de gelado e chantilly por 5.50 euros, mas ainda recebemos de oferta um aperitivo no final da refeição quando souberam que era o aniversário de um de nós (ou se calhar fazem a todos e usaram isso para nos fazer sentir mais especiais, sem o ser).

Se acho que valeu a pena esperar uma hora? Penso que sim porque a comida era realmente boa, o atendimento rápido e simpático. No entanto quando estamos com pessoas mais velhas e depois de um dia desgastante já se começa a pensar duas vezes em nos metermos nestas aventuras. Mas apesar de tudo todos nós adorámos a paella e comeu-se bastante bem por um bom preço.

Depois deste bom jantar foi apanhar o metro e o autocarro de volta para Gavà. Porque afinal este dia estava prestes a acabar mas o próximo muito mais nos traría. Outro dia para explorar Barcelona e a sua arquitectura moldada pelo modernismo.

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