Vila de Donegal
Tínhamos passado dois dias a explorar o bonito condado de Donegal e chegávamos agora à vila histórica que lhe dá o nome. Chegámos perto das 4 da tarde num domingo e fomos directamente para o centro da vila. Como era domingo as restrições de parque de estacionamento nas ruas da vila não se aplicavam e estacionámos numa das ruas do centro.


Como sabíamos que o nosso tempo seria limitado nesta vila decidimos que no mínimo visitaríamos o castelo de Donegal.
Castelo de Donegal
O castelo facilmente passa despercebido e o seu exterior pode não atrair a visita, no entanto aprendemos imenso naquela que acabou por ser uma visita guiada. A entrada para o castelo custa 5 euros e está aberto a visitantes nos meses de Verão (meio de março a finais de outubro) das 10 da manhã até às 6 da tarde, última entrada às 17:15. Nos meses de Inverno o castelo também está aberto das 9:30 às 16:00 com última entrada às 15:15.


Não sei bem de quanto em quanto tempo começam as tours guiadas uma vez que nós nos juntámos a uma quando entrámos para a primeira sala. A tour já estava a decorrer, mas o guia, um miúdo com muito entusiasmo pelo seu trabalho e história do castelo, deixou-nos juntar à tour sem problemas. Toda a visita ao castelo mesmo depois da tour terminada demorou pouco mais de meia hora.
O site oficial do castelo pode ser acedido a partir deste link: https://heritageireland.ie/places-to-visit/donegal-castle/
Fica aqui um pouco do que aprendemos sobre o castelo e seus habitantes.
História do Castelo
De 1200 a 1601, o castelo de Donegal foi a residência principal da família real O’Donnell, que governava o reino de Tir Chonaill. O castelo, por razões defensivas, foi construído numa curva do rio Eske para proteger a região dos dois lados do rio. Anteriormente, nos séculos IX e X, o castelo foi usado como forte Viking.


O castelo está dividido em sete secções; a Casa da Torre, a Mansão, as Arrecadações que ficam no piso do rés-do-chão, a Escadaria Trip, o Guarda-Roupa, o Salão dos Banquetes e as Câmaras acima do Salão dos Banquetes.
1. Casa da Torre (Tower House)
A Tower House foi restaurada e ergue-se acima da Manor House. Os registos históricos mencionam a ‘nova Torre’ em 1563, no entanto sabe-se que Red Hugh O’Donnell construiu o castelo em 1474 podendo ter sido nessa altura que a torre foi erguida. Os torreões foram acrescentados e as janelas ampliadas no início do século XVII pela família Brooke que adquiriu o castelo em 1610, altura em que o capitão Basil Brooke, soldado inglês, foi coroado pelo seu papel na Nine Years War (guerra dos noves anos).
2. Mansão (Manor House)
Manor House foi acrescentada ao castelo em 1623 e pode ser acedida por uma escada de madeira que leva até à porta elaboradamente esculpida no segundo andar. A entrada de estilo gótico e românico do rés-do-chão dava por seu lado para a zona dos criados.
3. Arrecadações (Ground level store-rooms)
Podemos dividir estas arrecadações em duas secções; na primeira secção os tectos em abóbada ruíram antes da restauração do castelo entre 1989 e 1996, enquanto que na segunda secção a construção permaneceu intacta.
Na entrada, à esquerda, encontram-se os brasões das famílias O’Donnell e Brooke. O mastro de um veleiro, o brasão dos O’Donnells conhecidos como ‘Reis dos Peixes’, representa o seu papel na extensa exportação de peixe durante o seu reinado. No século XV a porta do castelo que se encontrava ao fundo da escada de pedra em caracol foi retirada e substituída por uma parede para suportar a janela saliente do Salão dos Banquetes do segundo andar.
4. Escadaria Trip (Trip Stairwell)
Esta escadaria tem uma particularidade; os seus degraus são irregulares para que quando o castelo fosse atacado, os inimigos tropeçassem neles. Outro pormenor da sua construção é o sentido das escadas que sobem para a direita, isto porque os O’Donnell sendo destros tinham assim mais espaço na curva das escadas para atacar os seus inimigos.
5. Guarda-roupa (Guard-robe)
No interior da câmara deste guarda-roupa encontrava-se aquilo que se podia chamar de sanita. Diz-se que a vala aberta que levava os ‘dejectos’ pelo rio abaixo era bastante inclinada para que um arqueiro inimigo não pudesse apanhar alguém de surpresa.
Por outro lado, este ‘roupeiro’, funcionava também como vestiário. Aqui foram abertos buracos nas paredes onde se encaixavam bastões que suportavam uma espécie de banco onde as pessoas colocavam as suas roupas para puderem beneficiar das supostas propriedades desinfectantes do amoníaco usado para desinfectar a sanita.
6. Salão dos Banquetes
A parte mais notável neste salão é a elaborada lareira, uma das melhores do género na Irlanda (ver imagem abaixo). No canto superior direito pode-se ver o brasão da família Brooke. No canto superior esquerdo encontra-se o escudo de Lady Brooke, dividido em 2 partes, à esquerda está representado o marido pela cruz e à direita a flor-de-lis do brasão de Leicester, de seu pai. Na parte inferior da lareira encontra-se uma fila de rosas que simbolizam a coroa inglesa. Ao fundo da lareira encontra-se o emblema do seu primo, rei James VI da Escócia.

Para além da lareira, neste salão também se encontram cadeiras e uma mesa, réplicas de mobiliário da época, tal como tapeçarias, instrumentos musicais, a cabeça de um javali e os chifres de um veado.
7. As Câmaras acima do Salão dos Banquetes
No nível acima do Salão dos Banquetes acredita-se que havia duas câmaras, uma que funcionava como quarto principal e outra como escritório administrativo. Durante o século XVII mais divisões foram adicionadas as quais serviram como dormitórios para solados, crianças ou criados.
Mill Park Hotel
Para última noite escolhemos o Mill Park Hotel, um hotel de 4 estrelas, a 14 minutos de distância (a pé) do centro de Donegal (3 minutos de carro). Também neste hotel partilhámos o quarto, tal como fizemos durante toda a viagem, e a estadia ficou-nos a 220 euros (73 euros a cada um). Fizemos a reserva a partir do website oficial do hotel ficando-nos mais barato do que se o tivéssemos feito através de outro serviço como Booking.com ou Hotels.com. O site oficial do hotel pode ser acedido através deste link: https://www.millparkhotel.com/
1. Leisure Centre
Depois de fazermos o check-in e pormos as nossas malas no quarto decidimos aproveitar todas as acomodações que este hotel oferecia. E assim em menos de nada estávamos no Leisure Centre dividindo o tempo entre a piscina, a sauna e o jacuzzi. Segundo a política do hotel obrigatório usar toca dentro da piscina e não a tendo trazido, tivemos que a comprar no Leisure Centre por 3 euros.
O uso das instalações estava incluído no preço da reserva do quarto e para aproveitarmos ao máximo também na manhã seguinte, antes do pequeno-almoço, voltámos aqui.
2. Restaurante
Decidimos jantar no restaurante do hotel, Chapter Twenty, para depois irmos até a um pub irlandês onde houvesse música ao vivo. Não foi preciso marcar mesa, mas o restaurante estava bastante cheio naquela noite. No entanto, o serviço foi rapidíssimo e a comida era bastante boa.

Pedimos spring rolls e potato skins para entradas que dividimos pelos 3. Para prato principal acabei por escolher o Chapter Twenty Burguer com salada e batatas com alho e queijo, que foi uma variação das normais batatas fritas. Apesar dos pratos não serem tipicamente irlandeses a qualidade dos produtos tornou esta refeição mais memorável, aquela que seria o início do nosso ‘Adeus à Irlanda’.
Como estávamos cheíssimos já não houve espaço para sobremesa, mas pelo aspecto das que foram servidas em outras mesas, talvez valha a pena considerar substituir as entradas pelas sobremesas consoante a preferência do momento.

3. Pequeno-almoço
Já me adiantando para a manhã seguinte, passo agora para o pequeno-almoço. O pequeno-almoço servido em formato de buffet tem imensas escolhas. Para pequeno-almoço continental há uma selecção variada de cereais, frutas e iogurtes e também de pastelaria. Para o pequeno-almoço cozinhado pode-se escolher entre vários componentes do pequeno-almoço inglês e tirar as vezes que se quiser. Nós depois do jantar da noite anterior nem tínhamos muita fome, mas mesmo assim conseguimos experimentar uma boa selecção dos itens disponíveis.

Música irlandesa ao vivo
Para a última noite na Irlanda tinha pedido aos meus amigos para irmos ver música ao vivo. Ouvir música tradicional irlandesa num pub faz parte da tradição e cultura do país e não é preciso procurar muito para encontrar um pub onde se possa ter essa experiência.
Sem direcção certa depois do jantar seguimos pelas ruas até ao centro de Donegal acabando por entrar no pub The Real Inn. O pub estava cheíssimo mas tivemos muita sorte e conseguimos uns assentos num dos cantos da sala principal onde se podia ver os músicos. Não sei porquê mas ouvir este tipo de música dá-me uma nostalgia enorme.
Depois de várias bebidas e levados pelo ambiente e pela música que se espalhava pelo pub decidimos experimentar um cocktail que levava uma bebida tradicional, o Irish Poitin. O Irish Poitin também conhecido coloquialmente como Irish Moonshine foi proibido na Irlanda durante 300 anos. Esta bebida pode chegar aos 90% de álcool e é uma das bebidas mais fortes do mundo. Claro como tudo o que é proibido as pessoas continuaram a produzi-lo e a consumi-lo às escondidas. Tudo mudou em 1997 quando a bebida se tornou legalizada sendo possível agora bebê-la em público, uma bebida que representa parte da cultura e história irlandesa.


Ainda antes de acabar a noite, já a caminho do nosso quarto, parámos no bar do hotel para um Irish Coffee e mais dois dedos de conversa. Apesar de nesta altura já tudo parecer bem pelo vistos um bom Irish Coffee tem as camadas de café com whisky e natas bem definidas. Como disse a esta hora já não importava.
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