




Índice desta página
- Chegar a Veneza
- Onde ficar
- As primeiras impressões
- Primeiro dia
- Pequeno-almoço no hotel Vecellio
- Monumento a Vittoria Emanuele II
- Leão Alado
- Chiesa de San Zaccaria
- Librearia Acqua Alta
- Ponte dei Sospiri
- Palazzo Ducale
- Basilica di San Marco
- Praça de San Marco
- Carnaval de Veneza
- Scala Contarini del Bovolo
- Museo della Musica
- Squero di San Trovaso
- Bar alla Toletta e Pasticceria Toletta
- Arcicchetti Bakaro
- Ca’Macana Atelier
- Segundo dia em Veneza
O nome ‘Veneza’ evoca várias emoções – para os amantes de viagens, de fotografias, poetas, sonhadores e pintores. Em cada esquina, em cada canto, há um bocadinho para descobrir, para olhar, para respirar cada paisagem. Quando comecei a ver o que fazer em Veneza o primeiro aviso foi ‘preparem-se para se perderem, mas rapidamente voltarão a encontrar-se’, neste pedaço de paraíso onde nem sequer o Google Maps tem lugar. E sim, perdemo-nos, encontrámo-nos, explorámos, aventurámo-nos e encantámo-nos naquela que é a cidade mais pitoresca de Itália.

Mas por ser uma cidade tão adorada, procurada, amada, está a sofrer com o turismo. Milhões de pessoas a percorrer as ruas de uma ilha que está aos poucos a afundar-se, que um dia deixará de existir se não se criar uma acção de protecção. E está a começar essa mesma acção, a partir de Abril de 2024, os turistas começam a pagar 5 euros cada vez que queiram entrar na cidade. Muitos são os que dizem que 5 euros não vai parar o turismo alarmante, mas suponho que se tenha de começar por algum lado. Aliás é imperativo começar agora se queremos que Veneza continue presente no mundo futuro.
Ao invés de tudo o que eu acabei de escrever, o meu sonho não passava por visitar Veneza, mas há algo especial em conhecer esta cidade na altura do Carnaval, mesmo que seja só uma vez na vida. E foi essa a razão de termos vindo a Itália no final de janeiro. O Carnaval decorreria entre 3 e 13 de fevereiro, mas os preços da acomodação já estavam a preços alarmantes para estas datas. Mesmo na parte de Veneza dentro de Itália continental (duvido que seja este o termo correto), onde a acomodação costuma ser mais económica. Por isso fomos no fim-de-semana antes, 27 e 28 de janeiro, o fim-de-semana do chamado pré-carnaval, altura em que se começam a ver mascarados a vaguear pelas ruas e quando decorre o cortejo de início da época carnavalesca, concebida pela grande frota de barcos que parte de uma ponta do Grande Canal passando pela ponte Rialto. Este ano durante o fim-de-semana também haveria espetáculos de rua. O tema do Carnaval muda todos os anos, este ano, em 2024, o tema era ‘A incrível jornada de Marco Polo’, o grande explorar dos mares de origem italiana numa homenagem ao 700º aniversário da sua morte.
Chegar a Veneza
O aeroporto mais perto de Veneza é o aeroporto internacional Marco Polo. Podem chegar a Veneza de autocarro apanhando-o no aeroporto até Venezia Mestre, a estação que fica na parte continental de Veneza, e depois o comboio para Venezia St Lucia, a estação que fica na ilha de Veneza (esta é a tradicional parte da cidade, e da qual me estarei a referir nesta página). Em Veneza não é permitida a circulação de carros, onde a forma mais cómoda e fácil de transporte é o aquático. Os ‘autocarros aquáticos’, os chamados Vaporetto, ligam as várias partes da cidade, percorrendo os diversos canais, sendo possível apanhar um Vaporetto do aeroporto para Veneza. Se por outro lado é possível visitar Veneza a pé? Sim é, aliás foi o que fizemos, mas lembrem-se de que para ir de A a B tem que se passar por C, D, E,… e por isso se tiverem o tempo contado os vaporetto serão a melhor opção. Neste momento cada viagem de Vaporetto fica a 7 euros mas há vários passes que podem comprar e que permitem andar as vezes que quiserem de Vaporetto durante um determinado período de dias (dependendo do pass que comprarem): https://www.veneziaunica.it/en.
Onde ficar

Há duas opções, uma é mais económica, mas a outra para além de mais cómoda, permite ter uma melhor experiência da cidade. Ficar em Veneza Mestre invés de em Veneza central normalmente fica mais em conta financeiramente e é onde muitos decidem ficar, pois a viagem de comboio entre Venezia Mestre e Venezia St. Lucia é rapidíssima, apesar de não saber bem as regras que vão entrar em vigor agora com a taxa de entrada adicionada. Não sei se para aqueles que ficam em Venezia Mestre terão de pagar 5 euros todos os dias que quiserem entrar em Veneza, ou se haverá alguma espécie de acordo. Nós arranjámos um hotel dentro da ilha de Veneza, no distrito de Cannaregio, mesmo em frente ao rio; o hotel Vecellio, um hotel de 3 estrelas com pequeno-almoço incluído. Marcámos um quarto com vista para o rio e apesar do quarto gritar por umas obras de restauro, o hotel (e o quarto) conseguiram ir de encontro às nossas expectativas, até mais, porque sendo uma cidade rodeada por canais, aliás as estradas são os canais de água, as fundações das estão constantemente imersas por água. Tínhamos lido muitas histórias de pessoas que encontraram camas com percevejos ou madeira carujada, ou quartos com níveis de limpeza a deixar muito a desejar.


Foi com algum alívio que o nosso quarto não sofria de tais males. Cada noite custou-nos cerca de 100 euros mais a taxa da cidade. O nosso quarto devia ser a ‘preciosidade’ do hotel, porque a rececionista perguntou-nos umas quantas vezes se gostávamos do quarto como se esperasse que ficássemos completamente impressionados. Não ficámos, mas como disse sentiu-se algum alívio, especialmente depois de puxar os lençóis para trás e não ver bichinhos a rastejar (claro, isto depois da rececionista já ter saído do quarto). O sistema de pequeno-almoço incluía uma lista que todos os dias preenchíamos escolhendo o que queríamos para a manhã seguinte. A escolha incluía entre croissants, sandes, cereais, iogurtes, cafés, chás e chocolate quente. Podia-se pedir a quantidade que se quisesse de cada item da lista.
Uma das minhas sugestões, e de muitos viajantes que passaram pela cidade, é que tentem ficar alojados na ilha de Veneza, conhecer Veneza durante a noite, já sem as ondas de turistas a percorrer as ruas foi uma das melhores experiências que tivemos.
As primeiras impressões
Durante os 2 dias e meio passados em Veneza, o nevoeiro pouco nos largou, o que podia ter sido chato, mas para dizer a verdade acho que até adicionou um ar mais misterioso a Veneza. Talvez porque tinha visto há pouco tempo ‘Haunting in Venice’ este tempo adequava-se a essa vibe de mistérios. Até chegámos a comentar a certa altura que se alguém caísse à água durante a noite, ninguém o encontraria até o dia seguinte.


GPS em Veneza
Mal começámos a percorrer as ruas da cidade rapidamente nos apercebemos o porquê dos avisos sobre as pessoas perderem-se e não haver um GPS que os levasse pelas ruas certas. É que ias ruas são tão estreitinhas, de tal forma que em algumas mal dá para passar duas pessoas ao mesmo tempo. Esqueçam lá a ideia de carros, realmente era impossível. O que há muito são pontes, pontes à esquerda, à direita, ao centro, pontes que servem de entrada para casas e prédios. Quem nunca desejou ter uma ponte privativa como entrada de casa? Bem, em Veneza é bastante fácil de se arranjar! Outra coisa que há muito são pessoas, mas por todo o lado até chegar a um ponto de ser maçador. Dos 6 distritos que Veneza está dividida os mais desafiadores são o de San Polo e San Marco, que ficam mais no centro. Nas zonas de Cannaregio e Dorsoduro, zonas um bocadinho menos turísticas, é mais fácil respirar e apreciar a cidade sem ter de ter o cuidado constante de não pisar os calos a alguém. E foi mais na zona de Cannaregio que ficámos nesta primeira noite. Depois de instalados no nosso (maravilhoso, de acordo com a rececionista) quarto e de uma inspeção de conclusão favorável às condições sanitárias e biológicas deste, eis que saímos, já na mira da comida. Mas primeiro, porque havia ainda uma réstia de luz decidimos passar no bairro judeu, conhecido como o Ghetto.

Ghetto
O Ghetto existe desde 1516 e é hoje considerado o bairro judeu mais antigo do mundo. Infelizmente já nesta altura os judeus sofriam com a discriminação tendo sido confinados a esta zona de Veneza pela República Veneziana. No entanto em 1797 quando o exército francês comandado por Napoleão Bonaparte ocupou a cidade, a separação do Ghetto com o resto da cidade dissolveu-se. Fomos até à praça principal, mas afinal os restaurantes já estavam fechados tal como as sinagogas, sendo que uma delas até estava em obras. Acabámos por não voltar a esta zona por falta de tempo, mas fica aqui a dica de um local cheio de história. Se vierem durante o dia encontrarão certamente padarias aberta que valerão a pena experimentar como a chamada Panificio Giovanni Volpe.
Eu tinha esta padaria apontada para experimentarmos, mas afinal não aconteceu. Aliás tinha muitos locais apontados, todos eles locais que não nos levariam um braço ou um rim. Digo isto porque Veneza é conhecida por ser extremamente cara e é preciso atenção principalmente nos restaurantes e cafés nas zonas mais turísticas. Por exemplo, restaurantes com menus sem preços são um grande NÃO, porque no final pode chegar-vos uma conta com um valor exorbitante para pagar. E para nós, esta era uma viagem de baixo custo, pelo menos o quanto possível. Durante a nossa estadia em Veneza, acabámos por realmente nunca jantar num restaurante, mas não foi por isso que a nossa experiência culinária não foi boa.
Fried Land
Neste primeiro dia, quisemos experimentar um dos locais mais recomendados, o Fried Land, onde acabámos por provar duas iguarias locais; o cone de mar (fritto di mare) com camarões, peixinhos e lulas fritos na hora, que acabou por ser ainda melhor que o cone que tínhamos provado em Nápoles, e a massa com choco de tinta (pasta al nero di sepia), que apesar de ter uma aparência, pode-se dizer que estranha, tinha um sabor delicioso. A massa também feita na hora. O cone custou-nos 8 euros e a massa 7. O local é pequeno, não tem mesas, mas tem um pequeníssimo balcão com três bancos altos, que por sorte ficaram livres quando estávamos à espera da comida. Confesso que foi mais confortável comermos o nosso jantar sentados, do que comer no exterior ao frio. Se comerem ao ar livre, cuidado com as gaivotas, elas são predadoras de comida humana e não têm medo de tirar um olho a alguém para conseguirem surripiar uma argola de lula.


Bacaro Pub da Aldo
O Fried Land pareceu-nos ser um local bastante popular, apesar de não ser propriamente um restaurante. Isto porque durante o tempo que aqui estivemos não deixou de chegar mais e mais pessoas. Para acabar a noite fomos ao Bacaro Pub da Aldo (Bacaro Pub da Aldo Birre Da Tutto Il Mundo) local com uma grande selecção de cervejas. Mas o que nos chamou à atenção foi o aperol spritz XL por 5 euros. Pelo mesmo preço também se pode pedir o campari spritz. Ambas são bebidas tradicionais de Itália, o campari com um sabor mais intenso, parecido digamos com o da água tónica, enquanto o aperol tem um sabor mais docinho. Como estava frio sentámo-nos numa das mesas dentro do café onde encontrámos vários jogos de tabuleiro. Decidimos jogar damas, ou melhor, eu decidi levar uma abada nas damas, e para lamber as feridas não só fui para mais um campari spritz como ainda pedi um frito de bacalhau com mozzarella.


Por volta das 10 horas da noite decidimos voltar para o hotel. Percorrer aquelas ruas durante a noite sem pessoas, apenas o silêncio a rodear-nos deu-nos a conhecer outro lado de Veneza.
Primeiro dia
‘E aqui parámos para tirar uma fotografia‘; ‘é claro que tivemos que parar para uma fotografia‘; ‘o cenário merecia uma fotografia’; ‘e foi ainda melhor do que esperávamos’. São estas frases que resumem a nossa viagem a Veneza, uma cidade muito melhor do que esperávamos com recantos pitorescos a cada esquina onde era impossível não parar e não tirar uma fotografia.


Pequeno-almoço no hotel Vecellio
Depois da primeira noite passada no hotel Vecellio chegava a hora de tomar o pequeno-almoço. A sala de pequeno-almoços não é muito grande e é por isso que é preciso combinar uma hora na altura do check-in, senão há o perigo de não haver mesas para toda a gente. As sandes e as bebidas quentes são feitas na hora, mas o serviço é bastante rápido. Depois de comermos as nossas sandes, folhados, saladas de fruta acompanhados por cafés, chás e sumos eis que chegava a hora de sair e começar o nosso dia. Como diss anteriormente, enquanto estivemos em Veneza o nevoeiro foi quase sempre uma constante e o dia de hoje não foi excepção, bem pelo contrário, foi desde manhã à noite, o que alterou alguns dos nossos planos de que falarei mais à frente.


Monumento a Vittoria Emanuele II
A primeira paragem da nossa lista era a igreja de São Zacarias (Chiesa di San Zaccaria) e logo aqui encontrámos o primeiro problema com o GPS, pois este indicava-nos que a igreja se encontrava ao pé da estação de vaporetto de San Zaccaria, mas quando chegámos ao tal ponto, de igreja nada, ou pelo menos não esta igreja. Vejam só que estava tanto nevoeiro que até ponderei se a igreja não estaria a entrar pelo rio adentro e assim escondida pelo nevoeiro. O ponto que o GPS indicava era em frente a uma estátua de ferro, o Monumento a Vittorio Emanuele II, onde no topo se encontra o rei Emanuele II montado num cavalo. Ao seu sopé na parte posterior do monumento encontra-se uma estátua de uma mulher derrotada ao lado de um leão, representando a perda da cidade de Veneza para a Áustria no período entre 1848 e 1849 (fotografia acima à direita).
Leão Alado
O leão alado (leão com asas) é o símbolo da cidade de Veneza e por isso encontrado em imensos lugares espalhados pela cidade em forma de escultura, pintura e em painéis. O leão alado representa San Marco, o padroeiro da cidade. Este leão pode ter um livro debaixo da pata onde se lê as palavras ‘Pax tibi Marce, evangelista meus, hic requiescat corpus tuum ” que significa algo como “Paz para ti Marcos, meu Evangelista, aqui descansa o teu corpo”. A lenda diz que este leão alado apareceu a San Marco quando este estava a chegar à cidade e que naquele momento San Marco soube que era este o seu lugar.
Chiesa de San Zaccaria


Em relação à igreja, para a encontrar é preciso entrar por uma ruazinha estreita perpendicular, a Campo San Zaccaria, e seguir por essa rua por uns minutinhos. A visita à igreja é gratuita. No século VII foi a primeira igreja construída naquele local, no entanto a igreja de hoje remonta ao século XV. Pensa-se que na mesma altura da primeira igreja, no século VII, também um convento beneditino foi construído formando um complexo juntamente com a igreja. O convento foi mais tarde fechado por Napoleão e hoje é um dos quartéis dos Carabinieri, o equivalente à GNR em Portugal. Dentro da igreja existem três capelas, a capella di Sant’Antanasio, a Cappella di San Tarasio e a Capella dell’Addolorata. Uma das particularidades desta igreja e a maior razão para ela visar na nossa lista de locais para visitar é a cripta românica cuja visita custa 3 euros. Esta cripta do século X encontra-se permanentemente submersa em água.


Librearia Acqua Alta
A nossa segunda paragem foi uma livraria, mas uma livraria pouco comum. Tal como foi demonstrado pela nossa visita à cripta, Veneza é uma pequena ilha cuja cidade é facilmente inundada com a subida das águas dos canais. Apesar do nevoeiro não apanhámos chuva e por isso não vimos, mas pela cidade há painéis que se levantam do chão para criar passagens pedonais quando as inundações acontecem. Em certas situações nem isso safa de ficar com os pés dentro de água. Para combater as inundações e impedir que os livros se estraguem, os livros na Libreria Acqua Alta, estão protegidos ao serem mantidos dentro de gôndolas, barcos e banheiras onde estão dispostos ao invés das tradicionais prateleiras. De forma mais original foram usados os livros que tinham como destino o lixo. Estes foram empilhados formando corredores de livros e até uma escada ao fundo da livraria, a qual podem subir para uma bonita paisagem do canal. E claro que visitar a livraria não custa nada, para além de que quem sabe, se não encontram um livro que vos agrade para ler durante a viagem?


Ponte dei Sospiri
A praça de San Marco é a praça principal de Veneza e onde se encontram os mais imponentes monumentos. É também onde se encontra o maior número de pessoas por metro quadrado. Como disse acima San Marco é o padroeiro da cidade e é nesta praça com o seu nome que se encontra a basílica di San Marco, um dos locais que visitámos. Mas já lá vamos. Primeiro para chegarmos à praça tivemos de passar por uma ponte, a Ponte della Paglia, que fica defronte a uma das mais conhecidas pontes de Veneza, a ponte dos suspiros (Ponte dei Sospiri). Alguns acreditam que esta é a ponte mais romântica da cidade, mas não se enganem pelo nome que a história que lhe é associada não tem nada de romântico. A ponte liga dois edifícios, a prisão, Prigioni Nuove, e o Palazzo Ducale. O nome ‘suspiros’ tem origem do que se ouviam dos prisioneiros que passavam da prisão para o tribunal dentro do palácio onde iam ser julgados. Os prisioneiros davam suspiros ao verem a última vez o exterior ao passarem por esta ponte, uma vez que julgados dentro do tribunal a morte certa os esperaria.
Palazzo Ducale
Ao contrário da nossa intenção desta viagem, o de ser uma viagem a baixo custo, acabámos por decidir visitar o Palazzo Ducale (palácio Ducal), também conhecido por palácio do Doge. E foi o nevoeiro que teve o seu papel nesta escolha, porque todos os locais que tínhamos para visitar eram ao ar livre e com o nevoeiro não íamos ver grande coisa. Assim, demos 30 euros para visitar o palácio (eu sei, até dói). Se comprarem o bilhete online com 30 dias de antecedência, fica a 25 euros (fica aqui a dica). Outra coisa que tivemos de fazer ainda antes de pagar bilhete foi estar na fila. Felizmente a fila não era muito grande e esperámos cerca de meia hora, o que pelo que ouvi dizer não é nada mau. E pelo que vi acredito que em alturas mais turísticas, a espera deva ser de horas. Mas apesar de tudo a espera não custou nada! Nesta altura foi quando começaram a aparecer mascarados a passar ao pé do palácio e sendo este o motivo da nossa visita, claro que a espera passou num ápice.


Agora sobre a nossa visita ao Palácio Ducal – Se doeu aqueles 30 euros? Sim. Mas vale a pena? Eu diria que sim. Passámos mais ou menos uma hora a vaguear pelas muitas salas com o risco de apanharmos um torcicolo, a olhar para os frescos magníficos nos tectos e nas várias paredes. Não só os frescos, os trabalhados, o relógio astrológico (fotografia abaixo à direita), um complexo de arte belíssima. Talvez a parte menos faustosa terá sido a parte da visita à prisão (fotografia mais abaixo à direita). O Palazzo Ducale foi construído entre 1309 e 1424 e foi palco da antiga sede do Doge de Veneza. Quem era o Doge? Era o título de chefe de estado vitalício eleito pela nobreza veneziana. Só vos digo que pela riqueza magnífica que se encontra dentro deste Palazzo, pode-se dizer com grande certeza que o Doge era uma pessoa de grande poder.


Basilica di San Marco
Depois de sairmos do Palazzo Ducale era altura de visitarmos a Basílica di San Marco, outro monumento importante de Veneza, e digo-vos que foi muito diferente do que esperávamos. Pela positiva, claro. Depois da espera para entrar no Palazzo Ducale estavámos com menos paciência para estarmos na fila para entrar dentro na basílica. E a fila ainda era bem maior do que para entrar no palácio. Assim sendo fomos ao website oficial e comprámos os bilhetes que nos ficou a 6 euros cada. O mau? É que se tiverem na fila à espera a visita à basílica é gratuita. O bom? É que por 6 euros entram logo e escusam de perder horas de vida. Apesar de tudo, acho que os 6 euros foram bem dados.


Entre os bilhetes disponíveis, se forem comprados online tem-se a escolha de visita à basílica que custa 6 euros, ou então à basílica e Pala d’Ouro que custa 12 euros ou à basílica, Pala d’Ouro e museu Loggia Cavalli que custa 20 euros. Nós só visitámos a basílica por isso não sei se vale a pena visitar os outros sítios, mas sei que a basílica deve ser um dos locais a constar na lista obrigatória de visita. Como disse acima a basílica foi uma surpresa, pois ao contrário da arquitectura gótica encontrámos uma basílica de arquitectura com traços do Bizâncio, o nome da cidade antiga onde hoje é Istambul. Também aqui dentro a cor dourada do ouro prevalece como no Palazzo Ducale, mas de tal forma diferente que quase nos transporta para o meio oriente, mesmo ali no centro da Europa.


Praça de San Marco
Como era indicado pelas filas para entrar em ambos os locais, havia imensas pessoas, principalmente na basílica, de tal maneira que era difícil movimentarmo-nos pelos corredores. E assim acabámos no meio da praça de San Marco em frente à basílica. Edifícios importantes de notar conta com a Torre dell’Orologio (Torre do Relógio) onde na fachada principal encontra-se um grande e bonito relógio vigiado pelo famoso leão alado. No topo da torre ao bater da hora as duas estátuas de bronze, chamadas de mouros, devido à sua cor, torcem o torço para ‘bater’ no sino. A torre do relógio pode ser visitada com um guia, custando 14 euros o bilhete.Outro edifício importante e este ainda mais difícil de passar despercebido é o Campanário, Campanile di San Marco, medindo 99 metros de altura e que se pensa ter sido construído inicialmente para efeitos de torre de vigia no século XII. A torre foi destruída, reconstruída e remodelada, muitas vezes pela acção de raios, e hoje pode-se subir até ao topo para uma maravilhosa vista da cidade. Claro que para nós, o nevoeiro impedia que esta subida fosse atraente. E aqui também vos deixo uma alternativa mais barata. O centro comercial Fondaco dei Tedeschi tem um terraço no topo que é possível visitar gratuitamente. Apenas têm de reservar os vossos 15 minutos com alguma antecedência através do link: https://www.dfs.com/en/venice/service/rooftop-terrace. Eu soube deste lugar 1 semana e meia antes da viagem e já não fui a tempo para reservar bilhetes, estando tudo já esgotado. E vi os bilhetes agora e já só há para dia 10 de abril, por isso aconselho a que seja uma das primeiras coisas a fazer mal decidam visitar a cidade.


Enquanto caminhávamos pela praça de San Marco mais e mais mascarados apareciam e assim chegava a altura de irmos até ao nosso quarto pôr as nossas máscaras, luvas e capas e juntarmo-nos à festa. Afinal o carnaval de Veneza é um evento mundialmente conhecido.
Carnaval de Veneza
O carnaval de Veneza é para muitos uma daquelas experiênica do bucklist, uma experiência de uma vida. E há razões para o ser, é como presenciar um espectáculo ao ar livre. O carnaval em Veneza foi mencionado pela primeira vez em 1094, o mesmo ano em que o corpo de San Marco, o padroeiro da cidade, foi encontrado. O carnaval foi permitido pelo Doge Falier (o chefe do estado) para ser celebrado nos dias anteriores à Quaresma, o que significa que o carnival também tem uma conotação religiosa. E ainda o é hoje, por isso é que a terça-feira gorda começa antes da quarta-feira de cinzas quando se inicia a Quaresma. Mas em 1094, o carnaval estava nos seus primórdios. Foi só no século XIV que começou a tomar forma do que é hoje com o aparecimento da terça-feira gorda, por muitos conhecida como a terça-feira de carnaval, depois da guerra de Chioggia que acabou em 1381.


Até 1797, altura da dissolução da República de Veneza, as máscaras eram usadas muito mais frequentemente e fora da altura do Carnaval com o objectivo de manter o anonimato e a liberdade. pessoal. Hoje o Carnaval de Veneza é um acontecimento conhecido mundialmente com o uso de máscaras restrito ao Carnaval.
E o melhor é que qualquer um pode participar neste espectáculo. Com uma máscara, uma capa e luvas, foi assim que fomos experimentar o que é fazer parte deste evento. Andando pelas ruas muitas fotografias nos foram tiradas, pessoas a fingir que não o estavam a fazer (a fingir muito mal diga-se de passagem), pessoas a pedir para tirar fotografias conosco e até crianças a olharem e a apontarem para nós de olhos arregalados. E o melhor da experiência? O completo anonimato.


Continuámos a avançar na nossa lista de locais a explorar. Um detalhe que vou mencionar é que em muitos locais tais como igrejas e museus há restrições de entrada a mascarados, sendo como mínimo requisito entrar sem a máscara. Assim recomendo que se se quiserem mascarar que o façam durante a parte do dia em que não pensem visitar muitos lugares.
Scala Contarini del Bovolo
O primeiro lugar que fomos visitar foi a Scala Contarini del Bovolo, uma escadaria que faz parte de um palazzo do século XV. Pode-se subir esta escadaria por 8 euros, mas nós ficámo-nos pelo exterior. Uma das coisas interessantes deste local é que a escadaria foi adicionada ao edifício, uma vez que o dono, Pietro Contarini, queria embelezar a sua propriedade. E realmente não podemos discordar que a escadaria com os seus muitos arcos adiciona requinte aquele local.


Museo della Musica
Em seguida fomos até ao Museo della Musica onde encontrámos a primeira indicação sobre a restrição de entrada de máscaras, como mencionei acima. O museu encontra-se dentro da igreja de San Maurizio e em exposição existem vários instrumentos musicais com uma grande prominência nos instrumentos de cordas como os violinos. Existe até uma parte da coleção que pertenceu a Antonio Vivaldi. Neste museu poderão encontrar 300 anos de fabricação italiana de violinos com alguns dos mais magníficos instrumentos.
Squero di San Trovaso


Depois de voltarmos a pôr as nossas máscaras fomos até Squero di San Trovaso, ou melhor à Fondamenta Nani, a rua que fica do outro lado do canal em frente ao estaleiro histórico de San Trovaso. Este é um dos estaleiros ainda em operação onde são construídas e reparadas gôndolas, pequeno barcas e barcaças. Como fomos no Domingo não havia actividade naquele dia, mas é sempre valioso visitar um local que existe desde o século XVII e que continua a ter um papel importante nos dias de hoje.
Bar alla Toletta e Pasticceria Toletta
Por esta altura chegava as 4 da tarde e depois de um dia com tanta actividade eis que era a hora de nos virarmos para a cozinha local. Depois de uma breve discussão decidimo-nos pelo distrito Dorsoduro. Na verdade, esta zona era a seguinte da lista pela ponte dell’Accademia de onde se tem uma das melhores vistas sobre o canal. Mas o maldito nevoeiro não se tinha levantado e sabíamos que continuaria connosco pela tarde e noite adentro. Resignados, entrámos dentro do Bar alla Toletta, um dos locais de renome para os tramezzini, as sandes locais tradicionais. Já tínhamos experimentado os tramezzini em Bassano del Grapa e como a fome já apertava acabámos por pedir umas baguettes acompanhadas pelo famoso aperol spritz. Foi em Veneza que descobri que os aperol spritz, os cocktails famosos de Itália, são mais bem servidos com uma azeitona verde dentro. O café estava cheíssimo, mas viemos cá duas vezes (neste e no dia seguinte) e conseguimos sempre encontrar mesa. É incrível como a fome pode começar a ‘matar’ o dia, mesmo que seja um dia em viagem. Depois de comer a vontade de explorar a cidade já era outra.


No entanto ainda quisemos parar na pastelaria do lado, com o mesmo nome do café, Pasticceria Toletta, onde comemos o melhor de toda a viagem, as frittelle, que são bolinhas de massa frita recheadas. As frittelle são doces tradicionais da altura do Carnaval e por isso não só eram deliciosas como ainda tinham um valor cultural enorme. Como recheio existem vários cremes, experimentámos as frittelle com creme de pistacchio, com creme Zabaione e com creme veneziane. O de zabaione venceu, mas todos eles eram muito bons. Não é por acaso que no dia seguinte não só viemos aos tramezzini mas também a mais uma rodada de frittelle. A pastelaria não tem sítio para se sentar, só assim um balcãozito, mas vale imensa a pena visitar.

E foi assim que muito mais satisfeitos fomos andando pelas ruas de Veneza, tirando fotografias com as nossas máscaras postas, passando pela piazza San Marco e aproveitando para tirar fotografias não só aos recantos lindíssimos da cidade mas também a outros mascarados.
Quando começou a anoitecer fomos até ao nosso hotel, afinal para jantar as máscaras e capas acabariam por não dar muito jeito.


Arcicchetti Bakaro
Para jantar quisemos experimentar outra iguaria local as cicchetti, que são pequenas tostas de pão com os mais variados condimentos. E foi assim que acabámos em Arcicchetti Bakaro. Há várias razões pelas quais se deve visitar este lugar. Primeiro porque as cicchetti custam 1 euro cada. Na maioria dos locais e atenção que se encontram por todo o lado, cada cicchetti custa de 2 euros a 3,5 euros. Por isso 1 euro é mesmo um óptimo valor. Existem várias variedades de cicchetti, com carne, com peixe, com os mais variados legumes e misturas. Nós quisemos experimentar pelo menos um de cada. Foi também aqui que encontrámos o melhor aperol spritz da viagem. De negativo só tenho a apontar duas coisas: não sendo um restaurante, não dá para sentar no interior, só há umas mesas de café espalhadas na parte exterior e claro se tiver frio como estava na altura que fomos, não se consegue ficar muito tempo sentado. Outra coisa é como não aceitam reservas (e com estes preços) a fila é enorme. De tal maneira que não pedimos mais exactamente para não estarmos na fila. O meu conselho é que peçam logo a mais quando forem atendidos. Como podem ver nas fotografias abaixo, pedimos 10 cicchetti, 5 para cada um, mas acho que teríamos comido um prato cada, se pudéssemos. No entanto não posso deixar de mencionar a qualidade dos cicchetti, houve alguns que gostámos mais do que de outros, como por exemplo o de bacalhau e o dos tomates, mas todos eram muito bons. Tal como os outros locais que tenho mencionado nesta página não se deixem intimidar pela fila que vale mesmo a pena a espera.


Ca’Macana Atelier
Para finalizar o dia, ou mellhor a noite, entrámos dentro de uma loja muito especial, principalmente nesta altura do ano – Ca’Macana Atelier, onde se fazem as mais bonitas máscaras de Carnaval (e outros afins) desde 1984. As máscaras são feitas à mão com uma perícia incrível. Este atelier faz também workshops para quem queira aprender ou melhor experienciar esta práctica. Porque para aprender é preciso muito tempo e muito treino. Explorar esta loja foi como entrar num mundo de fantasia, um mundo recheado de máscaras venezianas.

Segundo dia em Veneza
Carnaval, a celebração do começo
Para o nosso segundo dia a explorar Veneza estava marcado um evento muito especial relacionado com o Carnaval. Mas primeiro vamos ao porquê de o Carnaval calhar sempre em datas diferentes. O porquê de a data mudar todos os anos. Porque o Carnaval ou melhor a sua origem está relacionada com a Páscoa e com ela a Quaresma, e por isso o dia de Carnaval, a terça-feira gorda, muda de acordo com a data da Páscoa, exatamente 47 dias antes da Páscoa. A data da Páscoa também muda não é verdade? Isto porque a Páscoa é dependente da lua – a Páscoa calha sempre no primeiro domingo depois do equinócio que dá início à Primavera.


O Carnaval sendo um símbolo de liberdade, de festa e celebração faz sentido que aconteça mesmo antes de se dar início à Quaresma, período com as suas muitas restrições que incluem o não comer carne à sexta-feira. Lembro-me bem desta regra visto que isto era seguido em casa dos meus pais e por isso bastante presente na minha infância.
O Carnaval em Veneza não acontece em apenas um dia, mas em 10. Começa 10 dias antes da terça-feira gorda. Em 2024 o período carnavalesco decorreu entre o 3 e o 13 de fevereiro. Durante estes dias há vários eventos diários como competições de máscaras, procissões, teatros de ruas, enfim um leque diverso de celebrações por toda a cidade de Veneza.


Claro que esta época é bastante procurada pelos turistas e como tal bastante mais cara principalmente quando falamos em acomodação. No entanto depois de uma pesquisa descobrimos que o cortejo aquático que abre o Carnaval acontece no fim-de-semana (Domingo) anterior ao início do período oficial. Mas atenção que as celebrações só decorrem no fim-de-semana, durante a semana volta tudo à normalidade até ao começo dos 10 dias de Carnaval. Como os preços eram bastante mais acessíveis neste fim-de-semana acabámos por escolher visitar Veneza de 27 a 28 de janeiro.
Se quiserem visitar Veneza no Carnaval do próximo ano, deixo-vos este website que nos ajudou imenso a organizar a nossa viagem: https://www.visit-venice-italy.com/carnival-venice-italy-programme.html
E eis que o Carnaval começa
O cortejo normalmente começa às 11 da manhã e parte de Punta della Dogana subindo o Canal Grande até à Ponte Rialto, onde a Pantegana acontece – o momento especial em que o rato enorme feito em papel se abre libertando um imenso número de balões coloridos pelo ar.
Não é difícil de adivinhar que a zona ao pé da ponte Rialto fica a abarrotar de pessoas para assistir ao espetáculo e por isso ou terão de vir umas horas mais cedo para estarem mesmo ao pé da ponte ou então têm de desbravar a multidão para encontrarem um cantinho onde consigam ver o desfile.
Neste nosso dia como o desfile começava às 11, depois do pequeno-almoço fomos passear pela cidade. Finalmente se via céu azul depois de dois dias de nevoeiro. Fomos até à ponte Rialto só para ver o que se passava por lá e claro que encontrámos um mar de gente mesmo aquela hora. Mas aproveitámos para ver a ponte. A ponte Rialto é a ponte mais famosa de Veneza tendo sido construída entre 1588 e 1591. A ponte Rialto é conhecida pela sua arquitectura e localização central no Canal Grande, o canal que atravessa a cidade. Como ainda era cedo e não quisemos estar à espera do cortejo que só chegaria aqui por volta das 11:20 fomos passear pela Piazza San Marco, que com sol, ganhou um outro brilho.


Fomos ainda até à zona da cidade onde ia começar o cortejo, apenas para espreitar, mas rapidamente chegava a hora de irmos para a ponte Rialto. Afinal nós também queríamos ver a Pantegana. Lá conseguimos um cantinho mais abaixo no canal ainda com vista para a ponte apesar das muitas estacas de madeira que nos tiraram a maior parte da vista. Mas conseguimos ver o cortejo e o grande diálogo daquele que fazia de Marco Polo, o grande navegador italiano. Também conseguimos ver os balões, apesar de terem sido bem menos do que esperava. Mas realmente o Carnaval segue as mesmas normas em todo o lado, apesar de todo o lado místico em Veneza, há também muita palhaçada e isso reflectiu-se neste cortejo (não é de forma alguma uma crítica, apenas uma contestação).
Museo Correr
Quando o cortejo acabou voltámos para a piazza San Marco para visitar o Museo Correr. Não nos tínhamos dado conta no dia anterior, mas o bilhete para entrar no Palazzo Ducale também dava acesso a este museu. No bilhete dizia que era válido para o dia da compra mas perguntámos à entrada e disseram-nos que podíamos entrar uma vez que o bilhete tinha sido comprado nas últimas 24 horas.


O Museu Correr é o museu da cidade, também conhecido como o museu cívico de Veneza, onde é contada a história da cidade desde a sua fundação até se tornar parte de Itália no século XIX. Ligado a este museu encontram-se o museu arqueológico e a biblioteca Marciana, também estes disponíveis para visita.
Tramezzini & Frittelle


Saímos do museu eram quase duas da tarde e foi quando começámos a explorar as bonitas e pitorescas paisagens do distrito de Dorsoduro. Fomos descendo em direcção à Ponte dell’ Accademia para aproveitar o bom tempo e assim puder apreciar a paisagem. Enquanto íamos andando decidimos comer qualquer coisa. Começámos pelo Bar alla Toletta para provarmos os Tramezzini; escolhemos quatro com recheios diferentes e claro está acompanhados por um aperol spritz. Os valores deste cocktail são bem mais elevados em Veneza do que os que encontrámos em Nápoles, que chegavam a custar entre 2 a 2.5 euros, mas a qualidade não tem comparação. Em geral o aperol spritz em Veneza fica entre os 4 e 4.5 euros. Mas repito, o preço compensa. Claro que a seguir entrámos na loja ao lado, Pasticceria Toletta, para mais uma virada de frittelle.


Ponte dell’Accademia & Fondamenta Zattere


Quando saímos da pastelaria fomos em direcção à ponte dell’Accademia, mas o tempo tinha começado a mudar, o céu tinha-se tornado cinzento e não demorou muito a ser acompanhado pelo nevoeiro, este já nosso conhecido. E foi assim que quando finalmente chegámos à ponte, não tivemos a sorte de apreciar toda a paisagem. Mas a cidade é tão bonita que mesmo com nevoeiro a beleza perdura.
Uma das coisas mais famosas para se fazer em Veneza é andar de gôndola. Quando visitámos a cidade um passeio de gôndola custava 80 euros por 30 minutos. Confesso que não vejo muito o interesse, mas sei que o problema sou eu, pois este negócio é concorrido de tal forma que até chegámos a presenciar um engarrafamento de gôndolas. Se gostavam de fazer algo assim mas acham que o preço é ridículo podem apanhar as chamadas gôndolas traghetto que custam 2 euros. Estas gôndolas são serviços públicos mais para ajudar os moradores da cidade que têm de atravessar de uma margem para a outra do canal. Estas gôndolas não fazem viagens longas, apenas conectam as margens opostas já que a pé pode-se demorar mais de meia hora. As traghetto são uma boa opção se querem fazer um ‘certo’ nas viagens de gôndola em Veneza.

Um dos locais que estava na nossa lista para ver o pôr do sol era a Fondamenta Zattere Ai Saloni. Mas nunca nos calhou a sorte de conseguirmos ver o sol ao fim do dia. Ainda viemos aqui passear, mas o nevoeiro estava cerrado.
Basilica di Santa Maria della Salute
No entanto percorremos a rua até ao pico e aproveitámos para visitar a Basilica di Santa Maria della Salute, que para nossa surpresa, era de entrada gratuita. Esta famosa basílica faz parte da paisagem mais conhecida de Veneza. A basílica foi construída como celebração e agradecimento à Virgem Maria pelo fim da peste no século XVII. A primeira pedra foi colocada a 1 de abril de 1631 e 50 anos depois foi solenemente consagrada pelo patriarca. A dupla cúpula da basílica é a sua particularidade arquitectónica mais conhecida onde no topo da maior encontra-se a estátua da Virgem Santa Maria com o bastão de capitana do mar.


Ospedale Ss. Giovanni e Paolo
Como o nevoeiro por esta altura não nos deixava ver grande coisa acabámos por ir jantar bastante cedo. Fomos primeiro ao hotel, o que nos levou mais de 40 minutos, já que fomos a passo de turista. Ainda entrámos num hospital, sim eu sei que parece estranho, mas à entrada do Hospital Civil Ss. Giovanni e Paolo encontram-se bonitas colunas de mármore apoiando um tecto de madeira. Estes são os restos da Scuola Grande di San Marco que ali existia antes de se tomar um hospital em 1815. A Scuola Grande di San Marco fazia de sede para várias instituições de caridade e religião que durante o século XIII tiveram um papel fundamental na história e desenvolvimento da música.
Pizzeria da Zorma


Para jantar não quisemos ir a nenhum restaurante propriamente dito, mas sim experimentar uma pizzeria que ficava ao pé do nosso hotel e que estava muito bem avaliada. A ideia era depois de comermos fazer uma espécie de rally tascas na zona de Cannaregio mas focada em aperol e campari spritz. A pizzeria só faz serviço de takeaway, mas tal como no Fried Land encontrámos um balcão com uns bancos que serviram de mesa. O nome deste local é Pizzeria da Zorma e está avaliado em 4.8 no Google. As pizzas são feitas na hora, mas não em forno de carvão pois esses são proibidos em Veneza. Mas os preços são realmente atrativos. Tal como as pizzas deliciosas. Escolhemos duas pizzas diferentes para dividirmos e depois de alguma indecisão pedimos a carbonara e a giulia. No entanto, ficou-se com alguma curiosidade em relação à pizza tedesca com salsicha e batata frita. Pode parecer estranho, mas a tedesca e a carbonara foram as pizzas que tiveram mais saída enquanto aqui estivemos. Claro que a maior parte dos clientes estavam a usar o serviço de takeaway estando sempre a entrar e a sair pessoas. Ao contrário do que se possa pensar Veneza não é o local aclamado pelas melhores pizzas, mas estas foram uma ótima surpresa. O preço de uma pizza de tamanho normal fica entre os 5 e os 8 euros.
Aperol & Campari Spritz em Cannaregio
Para começarmos a noite fomos primeiro à Birreria Zanon já que as reviews eram bastante boas em relação tanto à bebida como à comida. Mas ficámos bastante desanimados, foi um dos piores aperol spritz que já bebi. E nem era por ter pouco álcool, estou-me mesmo a referir à fraca qualidade da bebida.


Em seguida voltámos ao bar da primeira noite, Bacaro Pub da Aldo, para mais um aperol mas este sim com muito mais qualidade. Mas não nos ficámos por aqui. Na verdade, nesta rua existem imensos bares, alguns deles sempre cheíssimos tal como um bar de vinhos e um café com um conceito giro que junta livraria e bistro. Foi no terceiro bar que acabámos por ficar onde a música e o ambiente nos agarraram. O bar chamava-se Bacaro ae Bricoe. Aqui também se vende as famosas cicchetti, como aliás na maior parte dos bares. Aperol spritz e campari spritz à sua vez foram chegando à nossa mesa. Boa música, boa conversa, boa bebida. O que mais se quer na última noite numa das cidades mais bonitas não só de Itália, mas do mundo?


E foi num manto de nevoeiro que voltámos para o nosso hotel para uma última noite em Veneza. Uma vez na vida, uma memória para sempre.